Cadernos de a
COLE

O
Qualidade de vida,
Consumo e Trabalho
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Ao longo de sua histria, o Brasil tem enfrentado o problema da excluso social que
gerou grande impacto nos sistemas educacionais. Hoje, milhes de brasileiros ainda
no se beneficiam do ingresso e da permanncia na escola, ou seja, no tm acesso a um
sistema de educao que os acolha.
Educao de qualidade  um direito de todos os cidados e dever do Estado; garantir o
exerccio desse direito  um desafio que impe decises inovadoras.
Para enfrentar esse desafio, o Ministrio da Educao criou a Secretaria de Educao
Continuada, Alfabetizao e Diversidade  Secad, cuja tarefa  criar as estruturas necessrias
para formular, implementar, fomentar e avaliar as polticas pblicas voltadas para os grupos
tradicionalmente excludos de seus direitos, como as pessoas com 15 anos ou mais que no
completaram o Ensino Fundamental.
Efetivar o direito  educao dos jovens e dos adultos ultrapassa a ampliao da oferta
de vagas nos sistemas pblicos de ensino.  necessrio que o ensino seja adequado aos que
ingressam na escola ou retornam a ela fora do tempo regular: que ele prime pela qualidade,
valorizando e respeitando as experincias e os conhecimentos dos alunos.
Com esse intuito, a Secad apresenta os Cadernos de EJA: materiais pedaggicos para o
1. e o 2. segmentos do ensino fundamental de jovens e adultos. Trabalho ser o tema da
abordagem dos cadernos, pela importncia que tem no cotidiano dos alunos.
A coleo  composta de 27 cadernos: 13 para o aluno, 13 para o professor e um com
a concepo metodolgica e pedaggica do material. O caderno do aluno  uma coletnea
de textos de diferentes gneros e diversas fontes; o do professor  um catlogo de atividades,
com sugestes para o trabalho com esses textos.
A Secad no espera que este material seja o nico utilizado nas salas de aula. Ao contrrio,
com ele busca ampliar o rol do que pode ser selecionado pelo educador, incentivando
a articulao e a integrao das diversas reas do conhecimento.
Bom trabalho!
Secretaria de Educao Continuada,
Alfabetizao e Diversidade  Secad/MEC
Apresentao
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Sumrio
TEXTO Subtema
1. Alm do preo e da marcaRelicostumes 6
2. Transgnicos 8
3. Pirata musical com cara de mau Diversidades regionais 11
4. Fast-food aquece o globo Maturidade social 12
5. Mesa Brasil no tem desperdcioMiscigenao 14
6. Cdigo de defesa do consumidor Crtica social 18
7. Os altos lucros dos maus hbitos Trabalhadores 19
8. A corrente branca Cultura suburbana 20
9. Consumerism luta dos negros 25
10. Tabaco y economia personal Ambiente de trabalho 26
11. Consumidor consciente Identidade nacional 28
12. Um desenho Ambiente de trabalho 31
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13. Uma viso do futuro ndios do Brasil 32
14. Saco sem fundoImigrao e culinria 35
15. A pirataria ataca Direitos civis 36
16. Respeito pela (tenra) idade Origens dos trabalhadores 38
17. Usquendios do Brasil 42
18. Feito em casa 44
19. Cow parade Olhos da alma 49
20. Olhos grandes Arte culinria 50
21. O mundo do trabalho: contexto e sentidoArte culinria 51
22. Do povo para o povoArte culinria 58
23. A gigante se acomoda s leis Arte culinria 62
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Na hora de pegar este ou aquele produto
na gndola do supermercado,
o que pesa em sua deciso? Preo
mais baixo, melhor qualidade, tradio da
marca, preferncia familiar? Em geral, so
esses os fatores que costumam ser levados
em conta no instante da compra. Mas h
um fenmeno novo que desafia esse padro:
so os consumidores preocupados
com o comportamento da empresa que
produziu determinado produto.
J no so poucos os que fazem suas
escolhas se perguntando se aquela companhia
respeitou direitos humanos e trabalhistas;
se sua cadeia de produo segue
normas de preservao ambiental e boas
prticas empresariais. Se  tica quando faz
publicidade. Ou at se est comprometida
com a gerao de empregos.
Essa mudana nos padres de consumo,
que ganhou fora na segunda metade
do sculo 20, quando os consumidores
passaram a se organizar em grupos independentes
para defender seus direitos, j
gerou efeitos nas empresas. No so poucas
as que adotaram um ideal conhecido como
responsabilidade social, que fundamenta
prticas cujo fim no  apenas o lucro.
Empresas conscientes
O consumidor mais atento e informado
j percebe as relaes de seu nvel de consumo
e os efeitos disso no plano social, econmico
e ambiental. Isso torna as empresas
mais conscientes e preocupadas com os valores
que ela propaga com seus produtos e
marketing, afirma Marilena Lazzarini, coordenadora
institucional do Instituto Brasileiro
de Defesa do Consumidor (Idec), com 17
anos de trabalho e militncia na rea.
Foi pensando em estimular esse consumo
engajado que o Idec acaba de lanar
o Guia de Responsabilidade Social para o
Consumidor, um livreto de 22 pginas com
um painel sobre o movimento mundial de
consumidores e sua articulao do Brasil.
ALM DO PREO E DA MARCA
Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec)
lana guia em que defende o consumo responsvel e
prega o boicote  empresa que prejudica meio ambiente
e no respeita direitos humanos e trabalhistas
Consumo responsvel
TEXTO 1
 Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho 6
Extratdo do site Reprter Brasil: www.reporterbrasil.org.br
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Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho  7
Como exercer o consumo responsvel
Refletir sobre seus hbitos de consumo,
reduzir quando possvel, no
desperdiar e dar destinao correta ao
resduo ou ao produto ps-consumo;
Escolher marcas de empresas reconhecidas
por suas prticas responsveis
e ticas;
Obter informaes, por meio da
mdia e das associaes sociais, sobre
os impactos sociais e ambientais da
produo, do consumo e do ps-consumo
de produtos e servios;
Entrar em contato com o SAC
(Servio de Atendimento ao Consumidor)
das empresas por telefone ou
por escrito, para questionar sobre os
impactos e pressionar pela adoo de
prticas sustentveis de produo e
ps-consumo;
Procurar saber se a empresa tem
um balano social e solicitar informaes
a respeito;
Boicotar marcas de empresas envolvidas
em casos de desrespeito 
legislao trabalhista, ambiental e de
consumo. Por exemplo, consulte a lista
de reclamaes fundamentadas do
Procon, a fim de saber como determinada
empresa se comporta em relao
ao consumidor;
Participar de apoio associaes de
consumidores;
Denunciar prticas contra o meio
ambiente, contra as relaes de
consumo e de explorao do trabalho
infantil s autoridades competentes.
O consumidor
mais atento j
percebe as relaes
de seu nvel de
consumo e os
efeitos no
ambiente e na
sociedade.
1 5
6
7
8
2
3
4
Luludi / AE
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TRANSGNICOS
Transgnicos
TEXTO 2
 Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho 8
A sociedade civil ainda no foi esclarecida sobre o problema
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Apolmica em torno dos organismos
geneticamente modificados (OGMs),
popularmente conhecidos como transgnicos,
j fez histria. Comeou nos anos
1990, quando ocorreram as primeiras
colheitas de gros alterados geneticamente.
O movimento de resistncia surgiu em
torno da Campanha por Segurana Alimentar
e agregou diversas organizaes
no-governamentais. Desde ento, o nmero
de entidades envolvidas e as aes empreendidas
se ampliaram. No Brasil, a
mobilizao civil comeou com a campanha
Por um Brasil Livre de Transgnicos, que
publicou cartilhas impressas e boletins eletrnicos,
promoveu eventos e manifestaes
pblicas, e divulgou resultados de testes
realizados em alimentos.
Presso multinacional
A encrenca comeou em outubro de
1998, quando foi liberado o primeiro plantio
de soja geneticamente modificada no
pas produzido pela multinacional Monsanto,
uma das maiores empresas de biotecnologia
do mundo. A liberao ocorreu depois
que produtores do Rio Grande do Sul
usaram sementes de pases fronteirios,
como a Argentina, onde esse tipo de cultivo
j era permitido, e pressionaram o governo
para que sua safra pudesse ser comercializada.
A autorizao saiu, por medidas provisrias,
para as safras 2003/2004, 2004/
2005 e 2005/2006. A liberao definitiva,
no entanto, veio acompanhada de algumas
condies, entre elas a necessidade de o
agricultor assinar uma declarao reconhecendo
o uso de OGMs e comprometendo- se
a no usar os gros gerados em uma prxima
safra. Em relao  soja,  nesse p que
as coisas se encontram em 2006, aps a
aprovao e a regulamentao da Lei de
Biossegurana.
Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho  9
O plantio e a
comercializao
de soja transgnica
j so permitidos
no pas, mas ainda
geram polmicas.
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O algodo Bollyard Evento 531, tambm
da Monsanto,  outro captulo. Seu
cultivo foi liberado pela Comisso Tcnica
Nacional de Biossegurana (CTNBio), vinculada
ao Ministrio da Cincia e Tecnologia
(MCT), tambm com algumas exigncias.
Uma delas: 20% de algodo convencional
deve ser cultivado em reas cercadas e isoladas
para evitar contaminao.
Nveis de tolerncia
Desde 2003, vigora no Brasil o Decreto-
Lei n. 4.680, que exige a informao, no
rtulo, de alimentos e ingredientes que
contenham mais de 1% de componentes
transgnicos. Anteriormente era a partir de
4%. Para o Instituto Brasileiro de Defesa do
Consumidor (Idec), entretanto, a alterao
ainda no  satisfatria e tem duas reclamaes
nessa rea. A primeira  que muitos
alimentos contm menos de 1% de ingredientes
geneticamente modificados  e o
consumidor ignora a informao. A outra 
que produtos como bolachas, bolos, massas,
chocolates, leos, margarinas e seus derivados,
que sofrem processamento trmico
mais agressivo, tm suas protenas destrudas,
o que impede a deteco de organismos
geneticamente modificados.
Nos supermercados no h produtos
que tragam o smbolo indicando a existncia
de OGMs, no porque eles no existam,
mas porque a informao desaparece quando
entra em fabricao, e no existe fiscalizao,
afirma Gabriela Vuolo, coordenadora
da rea de consumidores da campanha
de transgnicos do Greenpeace. Na Unio
Europia, desde 2004 o limite para no
rotular um produto como geneticamente
modificado  0,9%. Na Sua, 0,1%. Na
Rssia e no Japo, 5%.
Texto 2 / Transgnicos
 Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho 10
Trechos da matria Quanto custa o rtulo, revista Desafios do
Desenvolvimento.
Cesta contendo os
produtos cujo teste
do Idec (Instituto
de Defesa do
Consumidor) acusou
a presena de soja
transgnica na
composio dos
alimentos vendidos
nos supermercados
do Brasil. Foto: Monalisa Lins /
AE
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Comparao 1997 a 2005
50% a menos de postos de trabalho direto
50% a menos de artistas contratados
3.500 pontos de vendas foram fechados
44% a menos de produtos nacionais
deixaram de ser lanados
R$ 500 milhes anuais  o que
o governo deixa de arrecadar em impostos
(considerados ICMS, PIS e Cofins)
80 mil empregos
deixaram de existir no setor (gravadoras,
fabricantes, comrcio varejista, etc)
Fonte: Federao Internacional da Indstria Fonogrfica
Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho  11
ORelatrio da Pirataria Comercial de
2005, da Federao Internacional da
Indstria Fonogrfica, alerta que, a
cada trs discos musicais vendidos no
mundo, um  pirata. No mercado brasileiro,
essa proporo  muito maior: o comrcio
pirata supera ligeiramente o de discos vendidos
dentro da lei. As aes de combate 
pirataria musical tm surtido efeito e as
vendas ilegais, no mundo todo, cresceram
apenas 2% em 2004, o menor nvel em
cinco anos. Entretanto, h dez pases onde
se considera urgente aumentar a represso
 pirataria e o Brasil  um deles. As atenes
se voltaram para c porque as vendas totais
de DVD musicais aumentaram 100% em
2004, o que levou o pas a ser o 7 maior
mercado no mundo de DVD musical  um
mercado atraente para quem tem ou no
cara de mau.
Falsificaes
TEXTO 3
PIRATA MUSICAL
Andra Wolffenbttel
COMCARA
DE MAU
No Brasil, o mercado
ilegal j supera o que
paga imposto
Os efeitos no setor musical
Revista Desafios do Desenvolvimento, edio 16  1/11/2005
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Se, como diz o ditado, somos o que
comemos, um estudo feito nos Estados
Unidos comprova que nossos
hbitos alimentares tm relao direta
tambm com a sade do planeta. De
acordo com a pesquisa, adotar uma dieta
vegetariana  uma forma simples de consumir
sem agredir o meio ambiente, enquanto
hbitos alimentares com predominncia
de comida industrializada e rica
em protena animal contribuem diretamente
para um dos problemas ambientais
que mais ameaam o mundo: o aquecimento
global.
A pesquisa mostra que a produo, a
estocagem e a conservao de alimentos
enlatados, embutidos e de fast-food 
todos com processamento industrial  
responsvel por cerca de 20% da queima
de combustveis fsseis (derivados do
petrleo) nos EUA. Assim, a dieta tpica
dos norte-americanos emite gases de efeito
estufa em quantidade equivalente a um
tero da emisso de todos os carros, motos
e caminhes do pas. Os transportes so
apontados como os principais causadores
do superaquecimento do planeta.
Dieta agressiva
Os autores do estudo comparam as
diferenas entre uma dieta vegetariana e
outra composta por produtos industrializados
 em relao  poluio gerada na sua
produo  s mesmas existentes entre um
carro de passeio e um jipe utilitrio. Eles
alertam que a capacidade de destruio do
meio ambiente de uma dieta como a dos
norte-americanos  to grande quanto a
do setor dos transportes. Mas ressaltam
que pequenas mudanas nos hbitos
alimentares das pessoas podem ter um
impacto positivo muito grande. Se cada
pessoa que come dois hambrgueres por
semana cortasse essa quantidade pela
metade, a diferena j seria substancial,
disse um dos autores do estudo.
FAST-FOOD
AQUECE O GLOBO
Vinte por cento do combustvel fssil do planeta
 queimado pela indstria de alimentos
Hbitos alimentares
TEXTO 4
 Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho 12
4CA06BT10L01.qxd 19.01.07 10:50 Page 12
As concluses do estudo incluem a classificao
de alguns tipos de dieta conforme
a quantidade de gases de efeito estufa
emitidos em todas as etapas da produo.
Os resultados so algumas vezes surpreendentes:
em primeiro lugar, como a que
menos impactos traz para o equilbrio
climtico da Terra, ficou a alimentao vegetariana
(inclui ovos e derivados de leite),
especialmente a composta de alimentos
orgnicos. Em seguida, vem a dieta com
base em carne de aves. Em terceiro lugar,
vem a alimentao industrializada tpica
dos norte-americanos. Empatados na ltima
colocao, ficaram a carne de peixe e a
carne vermelha. A colocao dos peixes em
ltimo na lista  explicada pelo fato de que,
em geral, a pesca e o congelamento de algumas
espcies envolvem muita utilizao de
combustveis derivados de petrleo.
Dessa forma, o consumidor consciente,
por meio de sua escolha alimentar, pode
contribuir para no aprofundar o problema
de aquecimento da Terra e mudanas
climticas decorrentes.
Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho  13
Extrado do site www.institutoakatu.org.br
4CA06BT10L01.qxd 14.12.06 23:06 Page 13
Alimentao  um assunto muito
mais importante do que simplesmente
levar comida  boca. Comea
com a escolha dos alimentos na hora
da compra  os vegetais da safra, por exemplo,
so sempre mais baratos e melhores
do que os que esto na entressafra , passa
pelo jeito com que so transportados,
guardados, manipulados, preparados e s
termina na forma pela qual so ingeridos,
tirando o mximo proveito de seu potencial
nutritivo.
Assim, o ato de comer  o ltimo passo
de uma caminhada que comea muito
distante da nossa cozinha. No Sesc,
Servio Social do Comrcio, esse jeito de
tratar os hbitos alimentares dos brasileiros
tem o nome de Culinria Inteligente,
um programa de alimentao que planeja
a composio dos cardpios dos restaurantes
e lanchonetes de suas unidades,
ensina a preparar os alimentos e orienta
sobre como consumi-los de forma nutricionalmente
adequada.
O combate ao desperdcio  um dos
principais temas tratados.  como descobrir
um mundo novo, um outro olhar
sobre os alimentos. Por exemplo: sabe
aquele talo que costuma ir direto para o
lixo? Ou o caroo da jaca ao qual ningum
repara? E a folha do brcolis? A casca da
banana? Enfim, o destino final disso tudo
pode deixar de ser o lixo para transformar-
se em um cardpio com iguarias nunca
imaginadas.
O no-desperdcio foi a primeira
etapa para a formao do conceito Culinria
Inteligente, que nada mais  que
levar em considerao todos os aspectos
da alimentao: economia, higiene, capacidade
nutricional, preparo, aproveitamento
de tudo que os vegetais podem
oferecer e, claro, muito sabor.
Mesa Brasil
A semente para o aproveitamento
integral dos alimentos foi plantada h dez
anos em funo de um dos maiores flage-
Hbitos alimentares
TEXTO 5
 Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho 14
MESA BRASIL
NO TEM DESPERDCIO
O desperdcio 
combatido pelo Culinria
Inteligente, um programa
que une criativade
e economia na cozinha
5CA06BT04L01.qxd 20.01.07 12:46 Page 14
los da realidade brasileira: a fome. Em
1994, o Sesc implantou um programa de
combate  fome e ao desperdcio de
alimentos, uma das primeiras grandes iniciativas
para mobilizar a sociedade, o Mesa
So Paulo. A idia era simples e eficiente:
pegar o alimento onde sobra e entreg-lo
onde falta.
Em 2003, a iniciativa foi lanada
nacionalmente com o nome de Mesa
Brasil Sesc, com o objetivo de contribuir
para que parcelas carentes da comunidade
tivessem acesso  alimentao por
meio do combate ao desperdcio. O programa
conta com a parceria de empresas
que doam alimentos, trabalhadores voluntrios
e instituies sociais que se
dedicam ao atendimento de segmentos
excludos da comunidade.
A dcada de experincia aperfeioou
o programa tornando-o ainda mais eficiente.
Para combater o desperdcio foi preciso,
tambm, aprender a manusear os
alimentos para no estrag-los, capacitar
os funcionrios para detectar o estado dos
produtos e as pessoas que os recebiam
para armazen-los e manipul-los da
melhor maneira, estabelecer regras de
preparo e higiene, enfim, garantir a segurana
necessria ao consumo.
Os efeitos prticos dessas aes podem
ser sentidos rapidamente no bolso.
De acordo com o Instituto Akatu pelo
Consumo Consciente,  possvel diminuir
em at 30% os gastos com comida. Alm
de contribuirmos para a diminuio do
lixo orgnico, que hoje representa 65%
de todo os detritos produzidos no Brasil.
Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho  15
Os dados divulgados pelo Instituto
Akatu atestam que o desperdcio
de comida no Brasil seria
suficiente para alimentar 8 milhes
de famlias. O Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatstica
calcula que de 20% a 30% dos
produtos comprados para abastecer
uma famlia de classe mdia
acabam no lixo. Isso significa
jogar fora em torno de 500 g de
alimentos por dia. Em vinte anos,
essa perda equivale a 3.600
quilos, quantidade suficiente para
fornecer 1 kg de alimento dirio
para uma criana de zero a 10
anos de idade, ou, ainda, oferecer
trs refeies dirias para os 7 mil
habitantes de uma cidade durante
um dia.
Os nmeros da
fome no pas
Foto: Nilton Fukuda / AE
Supermercado de Osasco, em So Paulo, doa
alimentos para o programa Mesa Brasil, do Sesc.
5CA06BT04L01.qxd 19.01.07 10:55 Page 15
No supermercado
P Elabore uma lista com calma, assim
voc evita levar alimentos que no consumir.
P V ao supermercado bem alimentado,
para no comprar por impulso.
P Compare os preos. Sempre.
P Observe o prazo de validade dos produtos.
P Congelados e resfriados devem ser colocados
por ltimo no carrinho.
P Acmulo de gelo sobre a embalagem
indica que o produto foi descongelado
e congelado novamente, o que o torna
imprprio ao consumo.
P Frutas e legumes da estao so mais
nutritivos e baratos.
Na panela
P O feijo pode ficar ainda mais saboroso
se ficar de molho por 6 horas. A digesto
 melhor e aproveitam-se mais os seus
nutrientes.
P No use facas serrilhadas para cortar
legumes, frutas e verduras, pois isso faz
com que se percam mais nutrientes.
Na cozinha
P No se deve deixar lixo prximo a alimentos,
pratos e talheres. Isso vale tambm
para aquela lixeirinha que fica em
cima da pia.
P Todo alimento guardado na geladeira
deve estar protegido. Assim ele no
perde os nutrientes e no absorve o
cheiro e as bactrias de produtos estragados.
P Alimentos j lavados no devem ser
misturados aos que ainda no o foram.
P No coloque em um mesmo compartimento
alimentos preparados com os
que ainda vo ser.
Texto 5 / Hbitos alimentares
 Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho 16
Evitar o desperdcio no 
s preparar refeies na
quantidade certa ou no
jogar comida fora. Muitas
frutas, legumes e verduras
podem ser melhor aproveitados
do que se imagina e,
mais importante ainda, resultar
em pratos deliciosos.
Quem disse que a casca de
banana no serve para nada?
E que o talo da couve 
intil? Experimentando aqui,
mudando alguma coisinha
acol, as culinaristas e nutricionistas
do Sesc So Paulo
criaram receitas saborosas
que aproveitam integralmente
os alimentos.  mesa!
Dicas de consumo valiosas
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P O descongelamento de alimentos, se
no for no forno de microondas, deve
ser feito dentro da geladeira. O ideal 
retir-lo do congelador e deix-lo na
geladeira at o completo descongelamento.
P Aps descongelado, o alimento deve
ser preparado e consumido em seguida.
Nunca o congele novamente cru.
S faa isso, se ele tiver sido cozido,
frito ou assado.
Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho  17
Bolinho de talos, folhas ou cascas
Ingredientes
 1 xcara (ch) de talos, folhas ou cascas
bem lavadas e picadas
 2 ovos
 5 colheres (sopa) de farinha de trigo
 1/2 cebola picada
 2 colheres (sopa) de gua
 sal a gosto
 leo para fritar
Modo de preparo
Bater bem os ovos e misturar os ingredientes
restantes. Fritar os bolinhos s colheradas
em leo quente. Escorrer em papel
absorvente. Podem ser usados talos de acelga,
couve, agrio, brcolis, couve-flor, folhas
de cenoura, beterraba, nabo, rabanete ou
cascas de chuchu. No caso dos talos de couve,
couve-flor e brcolis, recomenda-se ferv-los
antes do preparo. Voc pode aproveitar a
gua desse cozimento para outros pratos,
como arroz e sopa.
Bife de casca de banana
Ingredientes
 Cascas de 6 bananas maduras
 3 dentes de alho
 1 xcara de farinha de rosca
 1 xcara de farinha de trigo
 2 ovos
 sal a gosto
Modo de preparo
Lavar bem as bananas em gua corrente.
Cortar as pontas. Retirar as cascas na
forma de bifes, sem parti-las. Amassar o alho
e colocar numa vasilha junto com o sal. Colocar
as cascas das bananas nesse tempero.
Bater os ovos como para omelete. Passar as
cascas das bananas na farinha de trigo, nos
ovos batidos e, por ltimo, na farinha de
rosca, sempre nessa ordem. Fritar as cascas
em leo bem quente, deixando dourar dos
dois lados. Servir quente.
Receitas de lamber os dedos
Extrado da revista do Sesc no 83
www.sescsp.org.br/sesc/revistas
5CA06BT04L01.qxd 19.01.07 10:55 Page 17
Art. 6. So direitos bsicos do consumidor:
I a proteo da vida, sade e segurana
contra os riscos provocados por prticas
no fornecimento de produtos e
servios considerados perigosos ou
nocivos;
II a educao e divulgao sobre o
consumo adequado dos produtos e
servios, asseguradas a liberdade
de escolha e a igualdade nas contrataes;
III a informao adequada e clara sobre
os diferentes produtos e servios, com
especificao correta de quantidade,
caractersticas, composio, qualidade
e preo, bem como sobre os riscos
que apresentem;
IV a proteo contra a publicidade enganosa
e abusiva, mtodos comerciais
coercitivos ou desleais, bem como
contra prticas e clusulas abusivas
ou impostas no fornecimento de
produtos e servios;
V a modificao das clusulas contratuais
que estabeleam prestaes
desproporcionais ou sua reviso em
razo de fatos supervenientes que as
tornem excessivamente onerosas;
VI a efetiva preveno e reparao de
danos patrimoniais e morais, individuais,
coletivos e difusos;
VII o acesso aos rgos judicirios e
administrativos com vistas  preveno
ou reparao de danos patrimoniais
e morais, individuais, coletivos
ou difusos, assegurada a proteo
jurdica, administrativa e tcnica aos
necessitados;
VIII a facilitao da defesa de seus direitos,
inclusive com a inverso do nus
da prova, a seu favor, no processo
civil, quando, a critrio do juiz, for
verossmil a alegao ou quando for
ele hopossuficiente, segundo as regras
ordinrias de experincias;
IX (Vetado);
X a adequada e eficaz prestao dos
servios pblicos em geral.
CDIGO DE DEFESA
DO CONSUMIDOR
Conjunto bsico das
regras que protegem
o cidado contra os
maus fornecedores
Direitos civis
TEXTO 6
 Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho 18
6CA06BT14L01.qxd 19.01.07 10:57 Page 18
Alimentao e sade
TEXTO 7
Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho  19
OS ALTOS
LUCROS DOS
MAUS HBITOS
Culpamos os pacientes
pelos maus hbitos,
mas esquecemos que
nada  casual
Paulo Bento Bandarra
Arevista Veja de 17/6/2003 abordou a
estatina, nova esperana no combate
s doenas cardacas por sua eficcia
na queda do colesterol. J  a droga mais
vendida no mundo. Est tambm sendo
usada contra diabetes, angina, osteoporose,
inflamaes, Alzheimer, cncer de mama e
prstata. Sem entrar no mrito da estatina
como arma teraputica, certamente no  a
soluo para a m alimentao e a inverso
de valores da sociedade de consumo. Vivese
para comer, no se come para viver melhor.
A alimentao passou a ser um produto
comercial, que foge de sua funo
natural. Seu consumo  estimulado a toda
hora pela mdia para quem tem poder aquisitivo
e, portanto, j est alimentado. Ento,
inventam-se guloseimas para um consumo
cada vez maior, para que o lucro se faa presente
nos negcios de alimentao.
Bom para a indstria
A comida perde suas principais qualidades
e funes para ser vendida por seus
atrativos visuais, gustativos, tteis, para que
se consuma mesmo sem necessitar. As
gorduras utilizadas so de m qualidade,
visando aumentar o lucro com produtos de
preos mais baixos. No so alimentos
balanceados para uma alimentao saudvel.
Visam, principalmente, a quebra da
resistncia do consumidor, induzido  ingesto
maior. E como a concorrncia existe, a
briga  para cada vez se comer mais.
Ilustrao: Alcy
7CA06BT15L01.qxd 14.12.06 23:14 Page 19
Texto 7 / Alimentao e sade
Publicado no Observatrio da Imprensa
20  Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho
Os resultados j so considerados alarmantes,
com epidemias de obesidade, hipertenso,
cardiopatia e diabetes  excesso
de alimentao de alguns, fome de outros,
que no participam da festa por falta de
poder aquisitivo.
A soluo desses problemas pela via
medicamentosa, como adverte a reportagem
da Veja,  a pior possvel.  tentar remediar
um mal com outro. No sero os
medicamentos que solucionaro os problemas
advindos do tabagismo, do alcoolismo,
do excesso de comida. Aumentar gastos
com exames, medicamentos de preveno
e recuperao, tratamentos crnicos, hospitalizaes
e cirurgias corretivas  a pior
sada para uma questo simples, de causa
totalmente conhecida, mas de difcil enfrentamento,
pois as indstrias apostam todas
as suas fichas nesse estado de coisas, e a
mdia participa desse mercado de encantamento
lucrando sua parcela na promoo
da venda. Associa-se ao problema a indstria
de alimentos de baixa caloria, para que
se coma maior volume com menor efeito no
ganho de peso, criando ao mesmo tempo
dependncia do hbito de comer demais.
 uma atitude tola medicar os maus
hbitos, pois se desperdiam recursos que
poderiam ser aplicados em reas mais teis.
O New York Times de 13 de julho anunciou
a necessidade de se prescreverem estatinas
para nveis mais baixos de colesterol! (ou
seja, aumentar as vendas). Tratar pessoas
para que possam manter a ingesto excessiva
 uma distoro absurda. Passar a vida
comendo para dar lucro  indstria de
alimentos insalubres, para depois acabar a
vida tomando remdios s  bom para a
indstria. Inclusive a miditica.
Crianas obesas sendo
atendidas no Instituto
Novere, na Vila Mariana,
em So Paulo, que
realiza um programa para
reduo de ingesto
de alimentos e com
exerccios para crianas
carentes obesas.
Foto: Filipe Arajo / AE
7CA06BT15L01.qxd 19.01.07 10:59 Page 20
Ao tomar um copo de leite, a gente d
pouca ateno ao significado dessa
ao. O gostoso lquido foi produzido,
embalado, transportado e vendido at
chegar ao copo para ser consumido. Alis,
o copo tambm foi produzido, embalado,
transportado e vendido, envolvendo um
grande nmero de trabalhadores de diversas
esferas da produo, distribuio e
comercializao, esferas que, por sua vez,
consumiram quantidades de energia e
matria-prima.
Como ento esse leite chegou at o
momento de poder ser consumido? Nas cidades,
provavelmente algum foi at a
padaria comprar um litro de leite. Seguramente
pediu a um balconista aquilo que
precisava. O balconista teve como primeira
tarefa do seu dia de trabalho guardar o lote
de leite, que chegou de madrugada, na
geladeira, para que no estragasse.
Ele  um trabalhador,
funcionrio do dono do estabelecimento.
Pode ser um empregado com registro na
Carteira de Trabalho conforme manda a lei,
ou fazer parte do contingente de trabalhadores
que vivem relaes de trabalho consideradas
precrias.
No momento da compra do produto,
foi necessrio escolher entre marcas, tipos
e embalagens de leite com preos diferenciados,
assim como tomar algumas
precaues: olhar a data de validade do
leite, como estava armazenado (com boas
condies de refrigerao), se a embalagem
estava intacta etc. Foi preciso conferir
o troco e guardar o comprovante da
operao de compra e venda do produto,
pois, com ele, o consumidor, caso lesado,
pode recorrer ao servio de atendimento
ao consumidor da empresa fornecedora do
leite, s associaes de defesa de
consumidores civis e governamentais.
Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho  21
Hbitos alimentares
TEXTO 8
A CORRENTE BRANCA
O leite  muito mais do que o produto de fmeas mamferas
8CA06BT11L01.qxd 19.01.07 11:02 Page 21
Texto 8 / Hbitos alimentares
 Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho 22
No preo pago pelo produto, h tambm
impostos embutidos, que geram numerrio
para que o governo fornea servios,
contrate obras e fiscalize, por meio de
uma srie de rgos da administrao
pblica, a produo, a distribuio e a
comercializao, por exemplo, daquele leite,
para garantir suas condies de higiene
e qualidade, assim como verificar o cumprimento
das leis que regulam as relaes
de trabalho e consumo. Essas leis, conquistadas
ao longo da histria pelos cidados
organizados, partem do reconhecimento
da desigualdade de foras existente nas
relaes de trabalho e consumo e visam
proteger os cidados contra abusos e discriminaes.
A renda auferida pelo proprietrio da
padaria na venda do leite e de outros produtos
pode ser depositada ou aplicada num
banco. O banco, parte do sistema financeiro,
rene uma variedade de trabalhadores
com diferentes qualificaes, remuneraes
e direitos, sindicatos e associaes profissionais.
Enquanto o depositante mantm seu
dinheiro no banco, a instituio financeira o
utiliza, juntamente com o depsito de milhares
de outros clientes, em operaes financeiras
e de crdito, sujeitas a taxas de juros
cobradas de outras pessoas, empresas ou
organizaes que solicitam dinheiro para
financiar sua produo, seus projetos e at
as suas dvidas.
, parece que um copo de leite esconde
muito leite mesmo!
Para esse leite poder ser consumido,
precisou ser transportado do laticnio at
a padaria. Uma srie de trabalhadores, os
motoristas, proprietrios de seus caminhes
ou funcionrios de empresas transportadoras,
sujeitos a determinadas condies
de salrio e trabalho com seus direi-
A CADEIA PRODUTIVA DO LEITE
1 Produo 2 O transporte
8CA06BT11L01.qxd 19.01.07 11:02 Page 22
Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho  23
tos e sindicatos, fazem esse servio pela
madrugada afora. Para transportar o leite
so necessrios caminhes com refrigerao,
projetados e produzidos em grandes
fbricas nacionais ou multinacionais que
con- somem energia e matria-prima e que,
novamente, empregam um grande nmero
de trabalhadores com diferentes especializaes,
sujeitos a diferentes formas de
organizao do trabalho, salrios e direitos,
possivelmente tambm organizados em
seus sindicatos ou associaes profissionais.
Esses caminhes foram, por sua vez,
vendidos por concessionrias que, tambm,
renem trabalhadores do comrcio, com
sua respectiva organizao.
O laticnio, formado no Brasil inicialmente
por cooperativas e com a presena,
atualmente, de empresas multinacionais no
setor,  a indstria do produto.  a que o
leite ser pasteurizado, homogeneizado e
embalado. Mquinas e outros instrumentos
so necessrios para a realizao do processo,
produzidas, tambm, por fbricas, com
o trabalho dos engenheiros, projetistas e
operrios. A indstria do leite desenvolveu,
alm dos leites tipos A, B, C (diferenciados
pelo seu teor de gordura entre outros
aspectos), outros tipos de leite: o leite
longa vida, o leite condensado, o leite em
p, o leite desnatado, assim como uma
srie de produtos lcteos, como bebidas
com gosto de frutas, os mais variados iogurtes
(tradicionais, com polpas de frutas,
diets e lights), atingindo, dessa forma,
pblicos diferenciados por idade e poder
aquisitivo.
Uma parte da produo do leite no
chega ao consumidor diretamente. Pes,
bolos da indstria de panificao e outros
produtos o utilizam como ingrediente. Para
que a populao compre (e no s uma vez,
3 O processamento 4 A distribuio
8CA06BT11L01.qxd 19.01.07 11:02 Page 23
Texto 8 / Hbitos alimentares
 Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho 24
mas, se possvel, sempre) um novo produto
lcteo desenvolvido pela indstria do laticnio,
 necessrio que ela tome conhecimento
da existncia da mercadoria e sinta a necessidade
de consumi-la. A propaganda, nas
sociedades modernas, utilizando os meios
de comunicao de massa, tem o papel de
informar e convencer a pessoa de que ela
deve comprar determinadas marcas e produtos.
Este  outro setor que emprega o
trabalho de uma srie de profissionais que
se dedicam ao estudo do perfil dos possveis
consumidores do produto, para encontrar os
caminhos de seu sucesso de vendas.
Mas para que o laticnio possa dar incio
a todo esse processo  necessria a matriaprima:
o leite. Para tanto, ainda  necessria a
propriedade da terra (grandes propriedades,
pequenas propriedades cooperadas etc.), a
plantao e manuteno do pasto, o cuidado
dos animais, a cargo de trabalhadores, sujeitos
a diferentes relaes de trabalho, para que se
produza esse importante e complexo lquido.
Portanto, para que tudo isso possa aparecer
nas prateleiras, trabalhadores com habilidades
e conhecimentos diferenciados e adequados
produzem e controlam a produo. Todos
eles trabalham para obter remunerao que lhes
permita comprar o leite e outros produtos que
consideram necessrios para si e para os seus.
Pelo que se viu, o leite  muito mais que
um lquido branco, opaco, segregado pelas
glndulas mamrias das fmeas dos animais
mamferos (...)
Trecho extrado dos Parmetros Curriculares Nacionais  Caderno
Trabalho e Consumo  MEC.
5 O varejo 6 O consumo final
8CA06BT11L01.qxd 20.01.07 12:43 Page 24
Consumismo
TEXTO 9
CONSUMERISM Mike Baldwin
Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho  25
9CA06Bcharge_ingles.qxd 14.12.06 23:30 Page 25
TABACO
Y ECONOMA PERSONAL
Feliciano Robles Blanco
Hola amigas y amigos: Este aporte va
especialmente dedicado a aquellas
personas que por causas familiares o
profesionales estis en contacto con jvenes
adolescentes que se estn iniciando en el
consumo de tabaco o ya sean fumadores
habituales, porque quizs sea un argumento
que les incite a no fumar en el futuro o
dejar de fumar si ya son fumadores habituales.
Yo nunca he fumado precisamente
porque un da un profesor que yo tuve de
matemticas me hizo el razonamiento que
voy a exponerles. As se lo he contado
muchas veces a mis alumnos y a mis hijos
y algunos me han hecho caso y no han
fumado para preservar su economa personal.
El razonamiento es el siguiente:
Actualmente una cajetilla de tabaco
vale 2,60 euros y un fumador habitual consume
ms o menos una cajetilla diaria, as
que si decide no fumar dispone de 2,60
euros dirios para gastarlo en otras cosas
que le plazca ms que fumar.
Si es un poco ahorrativo y no fuma al
cabo de una semana dispondr de un ahorro
de 18,20 euros para gastar en algunas
cosas de cierto valor.
Si en vez de gastarlo en una semana
decide guardarlo un mes, podr disponer
de un ahorro de 72,80 euros, que ya le permitir
gastarlo en algo significativo.
Pero si decide seguir ahorrando durante
un ao, ya juntar un montante de
873,60 euros con lo que podr darse algn
gusto interesante e inolvidable.
Os perigos do fumo
TEXTO 10
 Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho 26
10CA06B_espanhol.qxd 15.12.06 12:06 Page 26
8.736
en 10 aos y se
podr comprar un
coche nuevo
La economa personal
(en valores aproximados)
873,60 euros
72,80 euros
18,20 euros
en una semana en un mes en 1 ao
Pero si tiene la fuerza de voluntad de
seguir ahorrando y lo guarda durante 10
aos, ya tendr un montante de 8.736
euros que si lo ha tenido en un banco fijo
con el capital ahorrado y los intereses generados
ya se podr comprar un coche nuevo.
Por lo cual si la vida de un coche aproximadamente
es de diez aos, significa que
con el ahorro que tiene por no fumar cada
diez que vaya viviendo podr ir comprando
un coche nuevo a expensas del ahorro
generado por no ser fumador.
Este clculo es fcil de comprender y
realizar por cualquier adolescente y a veces
este razonamiento les resulta ms convincente.
Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho  27
GLOSARIO
Ahorrar. economizar, poupar
Ahorrativo. econmico
Aporte. contribuio
Cajetilla. mao de cigarro
Coche. carro
Dejar. deixar
Fumador. fumante
Hijos. filhos
Hizo. fez (passado do verbo hacer)
Inolvidable. inesquecvel
Intereses. juros
Quizs. talvez
Razonamiento. raciocnio
Tabaco. fumo, cigarro
10CA06B_espanhol.qxd 15.12.06 12:06 Page 27
Recebi uma tarefa
Que fao com amor
Falar sobre o direito
De todo consumidor
Seja pobre, seja rico
No pague mico
Aprenda a dar valor
O direito  amplo
Garante a Constituio
De quem compra  vista
Ou mesmo a prestao
Produto com garantia
Pro uso ter serventia
 dever e obrigao
Por isso vamos falar
Nesse livrinho rimado
Os passos que devemos
Dia-a-dia com cuidado
Seguir para comprar
Pra melhor utilizar
Nosso dinheiro suado
Primeiro fique sabendo
Quem  o consumidor
 aquele que compra
E utiliza do credor
Bens e outros produtos
Pagando os tributos
Dentro do real valor
E quem  o fornecedor?
Respondo com certeza
Aquele que te vende
E passa com clareza
Todas as informaes
As normas e instrues
Sem usar de esperteza
A relao de consumo
Explico sem temor
 aquele que ocorre
Entre o consumidor
Que compra seus bens
Em lojas ou armazns
E o seu fornecedor
CONSUMIDOR
CONSCIENTE
Cordel
bem-humorado
fala sobre
direitos civis
Defesa do consumidor
TEXTO 11
 Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho 28
Domingos Alves E. Neto  Cabo BM
11CA06BT08L01.qxd 14.12.06 23:44 Page 28
Tambm nos servios
Pagos e utilizados
Seja em rgos pblicos
Ou nos privatizados
Reforma ou pintura
Conserto ou costura
O que for Acordado
Ocorrendo problemas
Alterando a relao
Procure seus direitos
Exija retificao
No havendo acerto
Ficando no: prometo
Faa a reclamao
Percebido o defeito
Sendo de fabricao
Trinta dias  o prazo
Para a sua correo
No foi corrigido?
Pode ser exigido
A troca ou restituio
Tambm so trinta dias
Pra exercer o direito
Se produto no durvel
Vier j com defeito
Se durvel, aumenta
Neste caso, pra noventa
Da Lei tire proveito
Caso algum envie
Sem a sua solicitao
Produto ou servio
Ser demonstrao
No pode ter cobrana
Mantenha na lembrana
Voc no tem obrigao
Se for carto de crdito
No caia em tentao
Quebre, ligue, reclame
No faa utilizao
Porque se uso for feito
Ficar como aceito
No ter outra opo
Compras por telefone
Ou reembolso postal
Vendas porta a porta
No so de todo mal
Vindo a se arrepender
Sete dias pra devolver
De volta o valor total
O colgio no pode
Documentos reter
Se pai de aluno
Prestao dever
Deve sim, negociar
S pode desligar
Ao ano letivo vencer
Outro caso abusivo
 oferta condicionada
Sendo muito conhecida
Como venda casada
Emprstimo com seguro
Saia de cima do muro
Denuncie a palhaada
Se por algum motivo
Sua conta atrasar
No seja enganado
Vou logo te avisar
A multa  dois por cento
No aceite outro aumento
No direito voc est
Tem outra coisa ainda,
Na hora da cobrana
O cdigo no permite
Que passem insegurana
Ameaar o consumidor
 humilhao o expor
Ou agir com ignorncia
Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho  29
Ilustraes: Alcy
11CA06BT08L01.qxd 19.01.07 11:03 Page 29
Caso algum lhe cobre
Um valor indevido
Voc ter o direito
E dinheiro devolvido
Em dobro do valor
E pra dar mais sabor
Ainda vem corrigido
A propaganda deve ser
Totalmente correta
No se pode induzir
A no ter mente aberta
A comprar gato por lebre
Nem farinha para febre
Pois a multa  certa
Na hora da entrega
A euforia  total
Saiba como agir
Com lgica racional
Confira a mercadoria
Pea termo de garantia
Exija a nota fiscal
Pois so os documentos
Em caso de reclamao
Verifique a embalagem
Se no tem violao
Se tiver algo errado
Estando tudo violado
Faa a devoluo
Foram s algumas dicas
O Cdigo  mais completo
Procure informaes
Leia e fique esperto
Consumidor consciente
Cidadania presente
O canal est aberto
O Procon Assemblia
Est  disposio
Faa uma visita
D sua opinio
A casa  do povo
Vou dizer de novo
Me garanta satisfao
Existem outros rgos
Ligados  defesa
De voc consumidor
Digo com certeza
Procure pro seu bem
O DECON ou o IPEM
Aqui em Fortaleza
Texto 11 / Defesa do consumidor
 Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho 30
11CA06BT08L01.qxd 14.12.06 23:45 Page 30
Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho  31
Consumismo
UM DESENHO Guto Lacaz
TEXTO 12
Publicado na revista Caros Amigos
12CA06BT17L01.qxd 15.12.06 12:11 Page 31
Transgnicos
TEXTO 13
 Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho 32
Alberto Ororub
UMA
VISO DO
FUTURO II
Uma projeo bem humorada da
trajetria atual da humanidade
13CA06BT03L01.qxd 15.12.06 12:14 Page 32
Os alimentos geneticamente modificados
(os transgnicos) foram substitudos
pelos geneticamente constitudos.
Quer dizer, nada mais  natural. E tem mais,
 possvel escolher o sabor entre 250 opes,
para qualquer tipo de alimento.
Muitos alimentos j vm com remdios
embutidos contra a maioria das doenas. Vacina
no existe mais. Antes da concepo, o pai
da criana toma uma vacina mltipla, contra
1.600 tipos de enfermidades, e pronto!
Alm dos alimentos super-light, sem
calorias e sem sabor, chega uma novidade;
o ultra-light. Este ltimo, em forma de comprimidos,
alm de no alimentar,  ideal
para quem quer perder peso. Funciona
assim: a pessoa chega na farmcia e pede
Me d um comprimido de 1 ms de exerccios!.
Isso  a mesma coisa que correr por 3
horas, 5 dias por semana, durante um ms.
Tudo isso sem cansar e de efeito quase
imediato.  incrvel!
Um dos exemplos prticos da modificao
gentica dos alimentos foi a incluso do
gene do inhame nos gros de arroz. Resultado,
gros de arroz com at 5 quilos cada.
Um nico p de arroz dos pequenos produz
agora 1 tonelada de alimento.
Os animais e insetos tambm foram
modificados geneticamente, no pelo homem,
mas pelos alimentos transgnicos.
Tambm o foram os vrus e as bactrias,
mas isso  outro assunto.
As pessoas podem escolher a aparncia
e sexo dos seus filhos antes do nascimento.
Ento  comum, em algumas cidades, encontrarmos
centenas de pessoas iguais em
homenagem a algum famoso.
Sei de um caso em que a personalidade
mais importante e admirada do lugar era um
personagem de um desenho animado japons
chamada BarataMon. Assim se originou
a primeira gerao de baratas humanas.
Tinham uma ntida vantagem sobre os de-
Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho  33
Experincia em
laboratrio testa
nova tcnica
de reconstituio
de tecidos.
Foto: AFP PHOTO
13CA06BT03L01.qxd 19.01.07 11:06 Page 33
mais humanos; comiam de tudo e com isso
no havia fome na comunidade. Mas, na
cidade, os chinelos estavam proibidos.
A polcia local bem que tentou, mas
nunca conseguiu deter o avano do trfico
de drogas naquele lugar. Resultado: o ndice
de pessoas viciadas em detefon crescia a
cada ano.
Alguns ratos geneticamente modificados,
que foram treinados em laboratrios
secretos de pesquisa para aprenderem a ler
(a idia era usar esses animais inteligentes
em espionagem industrial e na guerra),
finalmente se rebelaram e fugiram para as
montanhas de lixo. Nasceu assim uma nova
raa  a dos ratos falantes. Com o tempo,
aprenderam a andar com duas pernas apenas
e passaram a conviver normalmente
com os humanos.
E, da unio dos humanos com os ratos
nasceu o RatoMon, uma mistura de homem
com rato. Nas cidades onde eram maioria,
no existiam gatos. Por algum motivo que
no sabiam explicar direito, no os suportavam.
Um cientista muito famoso, estudioso
da evoluo das espcies, chamado Charles
Ratwin, chegou  concluso de que o homem,
na verdade, descendia do rato. Disse
isso baseado numa descoberta arqueolgica
fantstica.
Foi assim: na frica central, um pesquisador,
ao cair acidentalmente numa caverna,
encontrou um fssil de rato com 2 metros de
altura que segurava na mo uma mamadeira
decorada com a fotografia de uma criana.
Concluso: O fssil era de uma rata, que
dera  luz uma criana humana e a estava
alimentando quando aconteceu a catstrofe:
um cometa recheado de Racumin colidiu
com a Terra e exterminou 90% da populao
de ratos, at ento os dominantes do
planeta.
Da a expresso de dvida ainda muito
comum hoje em dia: Voc  um homem ou
um rato?
Texto 13 / Transgnicos
 Consumo, Qualidade de Vida e Trabalho 34
GLOSSRIO
Transgnico. termo usado para designar
alimentos que tiveram sua estrutura
alterada por engenharia gentica para
ganhar caractersticas desejveis.
Racumin. espcie de veneno para ratos.
Light. termo usado para designar
alimentos com pouco valor calrico.
Detefon. espcie de veneno comercial
multiuso.
O autor  desenhista e pensador e nas horas livres tenta escrever
alguma coisa sobre o futuro do planeta. Sua fonte de inspirao so
as pessoas e como elas vivem atualmente.
Extrado do sitededicas.uol.com.br/conto_leitor12b.htm
13CA06BT03L01.qxd 19.01.07 11:06 Page 34
Direitos do consumidor
TEXTO 14
O consumidor consciente
sabe quanto pode gastar sem
comprometer o seu oramento.
No foi isso que aconteceu em janeiro de 2006,
quando o volume de cheques sem fundos cresceu quase 25%.
SACO SEM
FUNDO
Comparando com o ms de janeiro de
2005, quando 15 cheques a cada mil
foram devolvidos, o ndice de 19
cheques devolvidos em janeiro de 2006
revela que o consumidor brasileiro est gastando
mais do que pode pagar.
Esse alto ndice reflete uma m administrao
das finanas pessoais. Muito disso
 reflexo das compras de Natal, feitas na
base do credirio, quando a dvida contrada
no ano anterior precisa ser paga no
incio do ano seguinte. Isso engessa o oramento
e compromete o pagamento de
outras despesas comuns nessa poca do
ano, como IPTU, IPVA e despesas escolares.
Antes de contrair dvidas,  recomendado
ao consumidor avaliar os riscos de comprometer
uma grande parte do oramento
com o pagamento de juros  no Brasil pratica-
se uma das maiores taxas do mundo. Na
medida do possvel, deve-se comprar  vista.
Mas o consumidor no  o nico culpado
pela alta taxa de inadimplncia. Os
comerciantes que no fazem os procedimentos
de anlise de crdito para autorizar
a compra tambm tm sua parcela de
responsabilidade.
Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho  35
Extrado do site www.akatu.org.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?
infoid=1334&sid=10&tpl=view%5Ftipo4%2Ehtm
14CA06BT09L01.qxd 15.12.06 12:17 Page 35
Faixa de Gaza (em referncia 
conflituosa regio do Oriente Mdio,
onde se enfrentam judeus e
palestinos)  como os cariocas chamam um
determinado trecho da avenida Rio Branco
 uma referncia bem-humorada e um
tanto mrbida  aos constantes enfrentamentos
entre o comrcio ambulante ilegal
e a Guarda Municipal.
Pelo local, passam diariamente mais de
500 mil pessoas, potenciais consumidores
dos produtos oferecidos. A rea  o local
de maior concentrao de camels por
metro quadrado do Rio. Ali, vendem-se
livremente produtos pirateados como CDs,
DVDs, relgios, camisas, cigarros, tnis e
sapatos.
Segundo dados da Secretaria de Governo
do municpio, cerca de mil camels
ilegais atuam no centro da cidade e o
nmero aumenta para at 1,3 mil pouco
antes do Natal. Alm desses, existe ainda o
chamado comrcio ambulante legal, autorizado
pela prefeitura, formado por mais
de dois mil camels cadastrados pela Secretaria
de Governo. Eles so proibidos de
vender mercadorias falsificadas ou contrabandeadas,
mas, apesar da formalidade, 
fcil achar produtos pirateados entre os
No Rio, comrcio ilegal
transforma centro da
cidade em zona de guerra
Comrcio ilegal
TEXTO 15
 Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho 36
A PIRATARIA ATACA
15CA06BT05L01.qxd 19.01.07 11:09 Page 36
ambulantes legalizados. Os camels que
vendem produtos piratas transformaram o
centro do Rio num territrio demarcado,
com uma estrutura parecida com a do trfico
de drogas. Eles so arredios e violentos.
A maioria  jovem, entre 19 e 25 anos de
idade, e reside na Baixada Fluminense.
Cada ambulante tem o seu ponto de venda,
que no pode ser ocupado por outro, sob
pena de gerar uma guerra entre eles. Um
dos camels diz ter plena conscincia de
que vende camisas pirateadas de marcas
famosas, mas alega precisar da camelotagem
para sobreviver. No tenho estudo
(primeiro grau incompleto), e ningum me
d emprego, justifica.
Abordagem esportiva
As mercadorias pirateadas so vendidas
abertamente, bem  frente dos olhos
dos policiais militares que fazem a segurana
do centro da cidade. Nesse comrcio
ilegal,  possvel comprar desde um relgio
Rolex por R$ 9,99 a uma camisa Lacoste
por R$ 15. Nas lonas montadas pelos
ambulantes, tambm podem ser encontrados
um pacote de quatro CDs de sucessos
atuais por R$ 10, DVDs de filmes por R$ 5
e tnis da Nike por R$ 25. A poucos quilmetros
dali, no Maracan, uma barraca
instalada no principal porto de entrada do
Estdio Mrio Filho vende camisas de
clubes de futebol, todas pirateadas. A camisa
da seleo brasileira, a mais procurada
pelos turistas que visitam o estdio, custa,
em mdia, R$ 40.
O comrcio formal do centro da cidade
 o mais prejudicado com ao dos
camels, pois  obrigado a fechar suas lojas
nos momentos de conflito com a polcia; a
concorrncia desleal dos produtos falsificados
causa perdas ao setor de mais de 1
bilho de reais por ano.
Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho  37
Foto: Daniela Conti / Ag. O Dia / AE
Pirataria de CD's
na avenida Rio
Branco, centro
da cidade do
Rio de Janeiro.
Extrado de www.radiobras.gov.br/especiais/Piratariapirataria_mat5.htm
15CA06BT05L01.qxd 19.01.07 11:09 Page 37
RESPEITO PELA
(TENRA) IDADE
Televiso
TEXTO 16
 Consumo, Qualidade de Vida e Trabalho 38
Debate sobre publicidade dirigida a crianas constata que vulnerabilidade
infantil parte da idia de que o consumismo traz a felicidade. Vrios
pases restringem esse tipo de anncios, o que no ocorre no Brasil.
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Consumo, Qualidade de Vida e Trabalho  39
ESPECIALISTAS QUEREM QUE
A PROPAGANDA INFANTIL
SEJA REGULAMENTADA
Fernanda Sucupira
As crianas brasileiras esto entre as
que mais assistem  televiso no
mundo todo. Enquanto elas permanecem
em mdia trs horas e meia por dia
diante da televiso, as alems no ficam
mais do que uma hora e meia. Considerando
que esse meio de comunicao chega
a 98% dos lares brasileiros, pode-se ter
idia do papel da televiso na formao das
crianas. A publicidade televisiva, por meio
de comerciais e merchandising, as influncia
no comportamento e no modo de pensar,
resultando no crescente consumismo
apresentado nos ltimos tempos. Este foi o
principal assunto discutido durante o I
Frum Internacional Criana e Consumo,
no qual especialistas defenderam que a
propaganda destinada a crianas seja regulamentada
no Brasil, a exemplo de outros
pases.
Longa tramitao
Desde 2001, est em tramitao na
Cmara dos Deputados, um projeto de lei
de autoria do deputado Luiz Carlos Hauly
(PSDB-PR) que altera o Cdigo de Defesa
do Consumidor, proibindo a publicidade de
produtos infantis. A Campanha Quem
financia baixaria  contra a cidadania,
organizada pela Comisso de Direitos Humanos
da Cmara em parceria com organizaes
da sociedade civil, colocou essa questo
como prioritria e realizou, em 2005,
audincias pblicas com o objetivo de construir
coletivamente uma proposta, a partir
do projeto de lei.
Regulamentao
Aps amplo debate com a sociedade
civil, a deputada federal Maria do Carmo
Lara (PT-MG), relatora da proposta na
Comisso de Defesa do Consumidor, conclui
que a grande maioria  favorvel 
regulamentao desse tipo de propaganda
e no  proibio total. O coordenador da
campanha, o deputado federal Orlando
Fantazzini (PSOL-SP) considera que a medida
provocaria uma presso imensa das empresas
anunciantes e de marketing. Por isso,
o grupo optou por, em vez de apresentar um
projeto proibindo, dar o primeiro passo que
 a regulamentao.
16CA06BT07L01.qxd 15.12.06 12:24 Page 39
O substitutivo da deputada Maria do
Carmo vai propor que toda propaganda
direcionada a crianas e adolescentes s
possa ser exibida aps as 22 horas, quando
supostamente pais ou responsveis esto
em casa e vo poder analisar se o brinquedo,
vesturio ou alimento anunciado
 indispensvel ou no
para a formao de seus filhos.
A deciso dos produtos a serem
consumidos ficariam, assim, a
cargo deles e no das crianas,
muito mais vulnerveis aos
apelos da publicidade. Esse seria
apenas o primeiro passo a caminho
da proibio total.
O que acontece nos outros pases
Diversas pesquisas mostram
que nos primeiros anos de
vida a criana no sabe sequer
distinguir entre o que so os
programas das emissoras de
televiso e as propagandas. S
por volta dos doze anos ela tem
capacidade de entender perfeitamente
o objetivo comercial da publicidade,
ou seja, que a inteno do anunciante
 vender o seu produto. Por conta
disso, em janeiro de 2005, a Sucia proibiu
completamente a propaganda para
crianas na TV, aps realizar um plebiscito,
com mais de 80% das pessoas favorveis
 medida.
Em diversos outros pases j existe
legislao rigorosa que regulamenta essa
questo, impondo limites e horrios para
esses comerciais serem veiculados. A
Inglaterra, por exemplo, determina que a
publicidade deve ser dirigida aos pais e
limita o preo do que pode
ou no ser anunciado, impedindo
a veiculao de propaganda
de produtos considerados
muito caros. Alm
disso, toda a publicidade infantil
inglesa  examinada e
classificada previamente.
Em alguns pases, como
na Alemanha, crianas no
podem apresentar publicidade
de produtos sobre os quais
elas no teriam conhecimento
ou que no seriam do
natural interesse delas, como
anncios de instituies bancrias.
Na Espanha, entre
outros pases, artistas ou personagens
de TV, como de desenhos
animados e apresentadores
de programas infantis, no
podem participar de peas publicitrias
por causa da influncia que exercem
sobre as crianas. O merchandising em
programas infantis  vetado em diversos
pases e em outros essas atraes televisivas
no podem ser interrompidos por
anncios publicitrios.
Texto 16 / Televiso
 Consumo, Qualidade de Vida e Trabalho 40
98% dos lares
brasileiros tm
televiso
3h30
 o tempo que as
crianas brasileiras
ficam na frente
da televiso
Na Alemanha, esse
tempo  de 1h30
16CA06BT07L01.qxd 19.01.07 11:13 Page 40
Vulnerabilidade infantil
Segundo a psicanalista infantil Ana
Olmos, a televiso e a publicidade em si
no so prejudiciais  criana, os efeitos
provocados por elas dependem, na verdade,
do uso que se faz delas. Por trs das
propagandas existe a idia de que se voc
comprar tal produto vai se completar, se
incluir, fazer parte do grupo das pessoas
felizes, ricas e bonitas, analisa.
Em certos lugares, a regulamentao no
se restringe  publicidade televisiva, mas atinge
tambm as embalagens dos produtos  que
na Sucia devem ser neutras  e incluem a
proibio do estmulo ao consumo excessivo
de alimentos.  vetada a publicidade de
produtos com brinquedos embutidos e figurinhas
para colecionar, como fazem no Brasil
alguns fabricantes de chocolates, cereais e
lanches de redes de fast-food, o que praticamente
fora o consumo infantil. Os
alimentos gordurosos ou doces consumidos
em excesso podem levar a problemas nutricionais
srios como o sobrepeso e a obesidade,
que vm crescendo entre crianas e
adolescentes brasileiros.
Consumo, Qualidade de Vida e Trabalho  41
Fonte P Agncia Carta Maior
www.cartamaior.uol.com.br
A propaganda
intensiva na televiso
voltada para o
pblico infantil
influencia a lista
de compras
da famlia.
Foto: Vidal Cavalcante / AE
16CA06BT07L01.qxd 19.01.07 11:14 Page 41
 Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho 42
Eu tinha doze garrafas de usque na minha adega e minha
mulher me disse para despejar todas na pia, porque seno...
 Assim seja! Seja feita a vossa vontade, disse eu, humildemente.
E comecei a desempenhar, com religiosa obedincia,
a minha ingrata tarefa.
Tirei a rolha da primeira garrafa e despejei o seu contedo
na pia, com exceo de um copo, que bebi.
Extra a rolha da segunda garrafa e procedi da mesma
maneira, com exceo de um copo, que virei.
Arranquei a rolha da terceira garrafa e despejei o usque
na pia, com exceo de um copo, que empinei.
Puxei a pia da quarta rolha e despejei o copo na garrafa,
que bebi.
Apanhei a quinta rolha da pia, despejei o copo no resto e
bebi a garrafa, por exceo.
Agarrei o copo da sexta pia, puxei o usque e bebi a garrafa,
com exceo da rolha.
Tirei a rolha seguinte, despejei a pia dentro da garrafa,
arrolhei o copo e bebi por exceo.
Quando esvaziei todas as garrafas, menos duas, que
escondi atrs do banheiro, para lavar a boca amanh
cedo, resolvi conferir o servio que tinha feito, de acordo
com as ordens da minha mulher, a quem no gosto
de contrariar, pelo mau gnio que tem.
Uma forma
simples de
complicar
qualquer
raciocnio
Os perigos do lcool
TEXTO 17
17CA06BT12L01.qxd 15.12.06 12:28 Page 42
Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho  43
Segurei ento a casa com uma mo e com a outra contei
direitinho as garrafas, rolhas, copos e pias, que eram
exatamente trinta e nove. Quando a casa passou mais uma
vez pela minha frente, aproveitei para recontar tudo e deu
noventa e trs, o que confere, j que todas as coisas no
momento esto ao contrrio.
Para maior segurana, vou conferir tudo mais uma vez,
contando todas as pias, rolhas, banheiros, copos, casas e
garrafas, menos aquelas duas que escondi e acho que no vo
chegar at amanh, porque estou com uma sede louca.
Extrado do livro Mximas e Mnimas do Baro de Itarar, Editora Record 
Rio de Janeiro, 1985, pg. 28 e seguintes, uma coletnea organizada por
Afonso Flix de Sousa.
O braso da Casa de Itarar
Apparcio Torelli, Baro de Itarar, o
Brando, (1895/1971), campeo olmpico da
paz, marechal-almirante e brigadeiro do ar
condicionado, cantor lrico, andarilho da
liberdade, cientista emrito, poltico inquieto,
artista matemtico, diplomata, poeta, pintor,
romancista e bookmaker, como se definia,
era gacho e  um dos maiores humoristas de
todos os tempos. Dele disse Jorge Amado: Mais
que um pseudnimo, o Baro de Itarar foi um
personagem vivo e atuante, uma espcie de Dom
Quixote nacional, malandro, generoso, e gozador,
a lutar contra as mazelas e os malfeitos.
17CA06BT12L01.qxd 19.01.07 11:16 Page 43
Biodiesel  um combustvel biodegradvel
derivado de fontes renovveis,
que pode ser obtido por diferentes
processos tais como o craqueamento, a
esterificao ou pela transesterificao.
Esta ltima, mais utilizada, consiste numa
reao qumica de leos vegetais ou de
gorduras animais com o lcool comum
(etanol) ou o metanol, estimulada por um
catalisador. Desse processo tambm se
extrai a glicerina, empregada para fabricao
de sabonetes e diversos outros cosmticos.
H dezenas de espcies vegetais no
Brasil das quais se pode produzir o biodiesel,
tais como mamona, dend (palma),
girassol, babau, amendoim, pinho manso
e soja, entre outras.
Biodiesel: conceito e funes
O biodiesel substitui total ou parcialmente
o leo diesel de petrleo em motores ciclodiesel
automotivos (de caminhes, tratores,
camionetas, automveis, etc.) ou estacion-
Os combustveis
renovveis podem
gerar um novo pas
Desenvolvimento sustentvel
TEXTO 18
 Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho 44
FEITO EM CASA
Funcionrio mostra mamona seca, na
usina de beneficiamento de leo da
Fazenda Normal, no distrito de
Uruque, em Quixeramobim, CE.
Foto: Jarbas de Oliveira /AE
18CA06BT20L01.qxd 19.01.07 11:18 Page 44
rios (geradores de eletricidade, calor, etc.).
Pode ser usado puro ou misturado ao diesel
em diversas propores. A mistura de 2% de
biodiesel ao diesel de petrleo  chamada de
B2 e assim sucessivamente, at o biodiesel
puro, denominado B100.
Surgimento do biodiesel
O biodiesel j vem
sendo pesquisado e j 
conhecido desde o incio
do sculo passado, principalmente
na Europa. 
interessante notar que,
segundo registros histricos,
o Dr. Rudolf Diesel
desenvolveu o motor diesel,
em 1895, tendo levado
sua inveno  mostra
mundial em Paris,
em 1900, usando leo
de amendoim como combustvel.
Em 1911, teria
afirmado que o motor
diesel pode ser alimentado
com leos vegetais e
ajudar consideravelmente o desenvolvimento
da agricultura dos pases que o
usaro. O que estamos buscando fazer no
Brasil  muito semelhante a isso, inicialmente
com nfase na agricultura familiar
das regies mais carentes, como o Nordeste,
o Norte e o Semi-rido brasileiro.
Experincia brasileira em biodiesel
O Brasil j foi detentor de uma patente
para fabricao de biodiesel, registrada a
partir de estudos, pesquisas e testes desenvolvidos
na Universidade Federal do Cear,
nos anos de 1970. Essa patente acabou
expirando, sem que o Pas adotasse o biodiesel,
mas a experincia ficou e se consolidou
ao longo do tempo. Progressos
crescentes vm sendo
feitos em diversas universidades,
institutos de pesquisa
de diversos Estados, havendo
grande diversidade
de tecnologias disponveis
no Pas. Existem tambm
empresas que j produzem
biodiesel para diversas finalidades.
Pode-se dizer
que o Brasil j dispe de
conhecimento tecnolgico
suficiente para iniciar e
impulsionar a produo de
biodiesel em escala comercial,
embora deva continuar
avanando nas pesquisas
e testes sobre esse combustvel de
fontes renovveis, como alis se deve avanar
em todas as reas tecnolgicas, de
forma a ampliar a competitividade do produto.
Em resumo,  s usar e aperfeioar o
que j temos.
Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho  45
100kg de
leo vegetal 10kg
de lcool
100kg de biodiesel
REAO
A FRMULA
10kg de glicerina
(matria-prima
do sabonete)
18CA06BT20L01.qxd 19.01.07 11:18 Page 45
Vantagens do biodiesel para o Brasil
Esse combustvel renovvel permite a
economia de divisas com a importao de
petrleo e leo diesel e tambm reduz a
poluio ambiental, alm de gerar alternativas
de empregos em reas geogrficas
menos atraentes para outras atividades
econmicas e, assim, promover
a incluso social. A
disponibilizao de energia
eltrica para comunidades
isoladas, hoje de
elevado custo em funo
dos preos do diesel, tambm
deve ser inserida como
forma de incluso,
que permite outras, como
a digital, o acesso a bens,
servios, informao, 
cidadania e assim por
diante. H que se considerar
ainda uma vantagem
estratgica que a maioria
dos pases importadores de petrleo vem
inserindo em suas prioridades: trata-se da
reduo da dependncia das importaes
de petrleo, a chamada petrodependncia.
Deve-se enfatizar tambm que a introduo
do biodiesel aumentar a participao
de fontes limpas e renovveis em nossa
matriz energtica, somando-se principalmente
 hidroeletricidade e ao lcool e colocando
o Brasil numa posio ainda mais privilegiada
nesse aspecto, no cenrio internacional.
A mdio prazo, o biodiesel pode tornar-
se importante fonte de divisas para o
Pas, somando-se ao lcool.
Benefcios ambientais do biodiesel
Reduzir a poluio ambiental  hoje um
objetivo mundial. Todo dia
tomamos conhecimento de
estudos e notcias indicando
os males do efeito estufa.
O uso de combustveis
de origem fssil tem sido
apontado como o principal
responsvel por isso. A
Comunidade Europia, os
Estados Unidos, Argentina
e diversos outros pases
vm estimulando a substituio
do petrleo por
combustveis de fontes
renovveis, incluindo principalmente
o biodiesel,
diante de sua expressiva capacidade de reduo
da emisso de diversos gases causadores
do efeito estufa, a exemplo do gs carbnico
e enxofre. Melhorar as condies ambientais,
sobretudo nos grandes centros metropolitanos,
tambm significa evitar gastos dos
governos e dos cidados no combate aos
males da poluio, estimados em cerca de
R$ 900 milhes anuais. Alm disso, a produo
de biodiesel possibilita pleitear financia-
Texto 18 / Desenvolvimento sustentvel
 Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho 46
O MAIOR PRODUTOR
A Alemanha  responsvel
por mais da metade da
produo europia de
combustveis e j conta
com centenas de postos
que vendem o biodiesel
puro (B100)
O total produzido na
Europa passa de
1 bilho de
litros/ano
1 bilho de
litros/ano
30%  o aumento
(perodo de 1998 a 2002)
30% Em 2010, os pases da
Unio Europia devero
usar pelo menos 5%
de combustveis
renovveis
5%
de combustveis
renovveis
18CA06BT20L01.qxd 15.12.06 13:29 Page 46
mentos internacionais em condies favorecidas,
no mercado de crditos de carbono,
sob o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo
(MDL), previsto no Protocolo de Kyoto.
Matrias-primas brasileiras para
produo de biodiesel
Empregar uma nica matria-prima
para produzir biodiesel num pas com a
diversidade do Brasil seria um grande equvoco.
Na Europa se usa predominantemente
a colza, por falta de alternativas, embora
se fabrique biodiesel tambm com leos
residuais de fritura e resduos gordurosos.
Em nosso caso temos dezenas de alternativas,
como o demonstram experincias realizadas
em diversos estados com mamona,
dend, soja, girassol, pinho manso, babau,
amendoim, pequi, etc. Cada cultura
desenvolve-se melhor dependendo das condies
de solo, clima, altitude e assim por
diante. A mamona  importante para o
Semi-rido, por se tratar de uma oleaginosa
com alto teor de leo, adaptada s condies
vigentes naquela regio e para cujo
cultivo j se detm conhecimentos agronmicos
suficientes. Alm disso, o agricultor
familiar nordestino j conhece a mamona.
O dend ser, muito provavelmente, a principal
matria-prima na regio Norte.
s vezes se comenta que o Brasil no
vai produzir biodiesel de soja, por exem-
Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho  47
Aparelho biodigestor
que filtra o leo da
mamona antes
de trasform-lo em
biodiesel na empresa
em Campinas,
interior de So Paulo
Foto: Epitcio Pessoa / AE
18CA06BT20L01.qxd 19.01.07 11:21 Page 47
plo. Na verdade, o objetivo do Governo
Federal com o PNPB  promover a incluso
social e, nessa perspectiva, tudo indica que
as melhores alternativas para viabilizar
esse objetivo nas regies mais carentes do
Pas so a mamona, no Semi-rido, e o
dend, na regio Norte, produzidos pela
agricultura familiar. Diante disso, ser dado
tratamento diferenciado a esses segmentos
e os estados tambm devero faz-lo, no
apenas na esfera do ICMS, mas de outras
iniciativas e incentivos. Em Pernambuco,
por exemplo, j se cogita criar um plo ricinoqumico
na regio do Araripe, mas h
vrios outros exemplos. Entretanto, uma
vez lanadas as bases do PNPB, como se
est fazendo agora, todas as matriasprimas
e rotas tecnolgicas so candidatas
em potencial. Isso vai depender das decises
empresariais, do mercado e da rentabilidade
das diferentes alternativas. Ao
Governo no cabe fazer as escolhas, mas
sim estimular as alternativas que mais
contribuam para gerar empregos e renda,
ou seja, promover a incluso social. Mas
no h dvida de que a soja, tanto diretamente
como mediante a utilizao dos resduos
da fabricao de leo e torta, ser
uma alternativa importante para a produo
de biodiesel no Brasil, sobretudo nas
regies com maior aptido para o desenvolvimento
dessa cultura.
Tecnologias de Produo do Biodiesel
Existem processos alternativos para
produo de biodiesel, tais como o craqueamento,
a esterificao ou a transesterificao,
que pode ser etlica, mediante o uso do
lcool comum (etanol) ou metlica, com o
emprego do metanol. Embora a transesterificao
etlica deva ser o processo mais utilizado,
em face da disponibilidade do lcool,
ao Governo no cabe recomendar tecnologias
ou rotas tecnolgicas, como se diz tecnicamente,
porque essas devem ser adaptadas
a cada realidade. Diante de nossas dimenses
continentais e diversidade, no precisamos
e no devemos optar por uma nica
rota. O papel do Governo  o de estimular o
desenvolvimento tecnolgico na rea do
biodiesel, como j vem fazendo, por meio
de convnios entre o Ministrio da Cincia e
Tecnologia e fundaes estaduais de amparo
 pesquisa, para permitir que possamos
produzir esse novo combustvel a custos
cada vez menores.  preciso estimular o que
usualmente se chama de curva de aprendizado,
permitindo que nosso biodiesel seja
cada vez mais competitivo, como ocorreu
com o lcool, por exemplo, e com inmeros
outros produtos.
Texto 18 / Desenvolvimento sustentvel
 Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho 48
Extrado do site www.biodiesel.gov.br/
18CA06BT20L01.qxd 19.01.07 11:21 Page 48
Cultura social
TEXTO 19
Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho  49
C OW PA R A D E
Esculturas de vacas de R$ 35 mil so alvo de pichaes
Mal foi aberta a exposio de
rua da Cow Parade, conseqncia
de protestos ocorridos
no ano passado que reivindicavam
recursos para artistas da cidade,
e trs vacas j foram alvos de pichaes
em BH. O evento continua a
receber crticas pela forma
de conduo da exposio
que depende de
35 mil reais para produo
de cada Vaca, sendo
necessrio o patrocnio de
empresas que muitas vezes se
utilizam do artifcio para criar
vacas outdoors, que vinculam
publicidade maquiada de
arte.
A Vaca apelidada de Cowburguer,
patrocinada pelo Grupo Alimenta
e Picanha Fine recebeu a frase
Seja Vegetariano e riscos sobre os
olhos. No por coincidncia, a vaca
Cowburguer, originalmente,  uma
referncia ao hambrguer comercializado
pelos prprios patrocinadores,
que fizeram questo de aplicar um
cdigo de barras sobre o lombo da
escultura para batiz-la como um
produto de propriedade registrado.
Outras duas vacas, a Vaca Ouro, do
Grupo Poro, patrocinada pela Belgo
Bekaert Arames e a Vaca Mazoca, de
um aluno da FUMEC, receberam respectivamente
as pichaes de Compre
minha dor e Coma
Carne Fetish.
Outro ponto crucial
 o fato de que os
maiores patrocinadores
da Cow Parade so
do ramo de laticnios e
derivados. Em Belo Horizonte
o patrocnio  da
Itamb, empresa que utiliza
o modo industrial de produo de
leite, que causa grande sofrimento
aos animais. O filme A Carne  Fraca
se tornou popular por transparecer
essa realidade velada da indstria.
Hoje a mesma indstria se
utiliza da arte para tornar ainda
mais obscuro o dia-a-dia angustiante
em que esses animais vivem.
Foto:
Bianca Bueno
Extrado do site prod.midiaindependente.org/pt/blue//2006/
07/358425.shtml
19CA06BT13L01.qxd 19.01.07 11:24 Page 49
 Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho 50
Ahumanidade caminha para um beco
sem sada. Se o atual ritmo de explorao
do planeta continuar, em um
sculo no haver fontes de gua ou de
energia, reservas de ar puro nem terras para
agricultura em quantidade suficiente para a
preservao da vida.
Hoje, mesmo com metade da humanidade
situada abaixo da linha de pobreza,
j se consome 20% a mais do que a Terra
consegue renovar. Se a populao do mundo
passasse a consumir como os americanos,
seriam necessrios mais trs planetas
iguais a este para garantir produtos e servios
bsicos como gua, energia e alimentos
para todo mundo.
Como, evidentemente,  impossvel arranjar
mais trs Terras, nem os americanos
podero continuar com o mesmo modelo
de consumo, nem a populao mundial
poder adot-lo. A nica sada  todos
adotarmos padres de produo e de consumo
sustentveis. Para os pases ricos, isso
significa, por exemplo, procurar fontes de
energia menos poluidoras, diminuir a produo
de lixo e reciclar o mximo possvel,
alm de repensar sobre quais produtos e
bens so realmente necessrios para alcanar
o bem-estar. Aos pases em desenvolvimento,
que tm todo o direito a crescer
economicamente, cabe o desafio de no
repetir o modelo predatrio e buscar alternativas
para gerar riquezas sem destruir
florestas ou contaminar fontes de gua.
Nesse processo, o consumidor consciente
tem um papel fundamental. Nas suas
escolhas cotidianas, seja na forma como
consome recursos naturais, produtos e servios,
seja pela escolha das empresas das
quais vai comprar em funo de sua responsabilidade
social, pode ajudar a construir
uma sociedade mais sustentvel e justa.
OLHOS
GRANDES
Se toda a humanidade
consumisse com a avidez
americana, a Terra teria
de ser duas vezes maior
Consumo consciente
TEXTO 20
Extrado do site www.akatu.org.br
Foto: Srgio Castro / AE
Alunos do
colgio Santo
Incio, no Rio
de Janeiro,
jogam garrafas
plsticas no
saco de coleta
de reciclagem.
20CA06BT16L01.qxd 15.12.06 13:51 Page 50
Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho  51
O MUNDO DO TRABALHO:
CONTEXTO E SENTIDO
Organizao da produo
TEXTO 21
Uma viso sobre o que fez e o que faz o trabalhador brasileiro
Foto: Sebastio Salgado
21CA06BT18L01.qxd 15.12.06 02:01 Page 51
Texto 21 / Organizao da produo
 Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho 52
O que ?
A palavra trabalho deriva do latim
tripalium, objeto de trs paus aguados
utilizado na agricultura e tambm como
instrumento de tortura. Mas ao trabalho
associamos a transformao da natureza em
produtos ou servios, portanto em elementos
de cultura. O trabalho , desse modo, o
esforo realizado, e tambm a capacidade
de reflexo, criao e coordenao.
Ao longo da histria,
o trabalho assumiu mltiplas
formas. Um importante
pensador sobre esse
assunto foi Karl Marx.
Para esse autor, o trabalho,
fruto da relao do homem
com a natureza, e do
homem com o prprio homem,
 o que nos distingue
dos animais e move a
Histria.
Mas o trabalho no mundo
capitalista assumiu uma
forma muito especfica: o emprego assalariado.
Como isso acontece? Quais as conseqncias
desse modelo?
Trabalho e salrio
Nas sociedades europias, depois da
Idade Mdia, a idia do trabalho regular se
impe aos poucos.  o incio do Capitalismo.
Essa nova concepo vai alm da atividade
agrcola marcada pelos ciclos da natureza.
 medida que se aprofundam as relaes
tpicas da sociedade capitalista, ocorre
a valorizao do capital, com a transformao
de insumos em produtos, em mercadorias
e em lucros.
Os donos do capital se apropriam dos
meios de produo, o que significa que eles
compram, com salrios, a fora de trabalho
daqueles que passam a viver desse trabalho.
As longas jornadas so definidas pelo
capital e perdem a relao
natural com o movimento
da Terra, com as estaes
do ano ou clima. O
tempo pertence ao capital,
que exige trabalho.
As pequenas oficinas
onde se produziam os artefatos
vo perdendo espao
para o surgimento
das fbricas. As guildas
ou as corporaes de ofcio,
que reuniam mestres
e artesos, comeam a tomar a forma dos
primeiros sindicatos. Mas o que  essa novidade
chamada fbrica?
Fbrica  o lugar onde os trabalhadores
eram reunidos para executar diferentes
tarefas para produzir uma mercadoria. Das
oficinas s fbricas chega-se  manufatura,
e logo aos sistemas de mquinas,  automao,
s grandes fbricas capazes de
produzir algo complexo do seu incio at a
operao final sob o comando do capitalis-
O aumento brutal da
produo, o progressivo
refinamento dessa
produo, levaram
a um limite: o mundo
superdesenvolvido,
que produz apenas
para a parte da
humanidade que
pode consumir.
21CA06BT18L01.qxd 19.01.07 11:33 Page 52
Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho  53
ta, representado pelo capataz ou feitor.  o
longo processo da Revoluo Industrial,
iniciada na Inglaterra no sculo XVII
Ao surgimento da fbrica, corresponde
o aparecimento dos sindicatos em defesa
dos interesses da classe trabalhadora e em
busca pela justia na produo capitalista.
Trabalho e emprego
Para que os trabalhadores vendessem
seu trabalho em troca de salrio, foi preciso
destruir formas autnomas de sobrevivncia,
criar leis que obrigassem pessoas
livres a trabalhar, reprimir todos aqueles
vistos pela elite dominante como vagabundos
e indignos. Desse modo, o trabalho no
mundo capitalista ganhou cada vez mais a
forma de emprego assalariado e sua ausncia
recebeu o nome de desemprego.
As palavras emprego e desemprego s
passam a ter existncia no vocabulrio europeu
a partir do final do sculo XIX. At ento,
aqueles que conseguiam prover a prpria
existncia eram identificados como trabalhadores
(no sentido genrico), ou como profissionais
pertencentes a alguma corporao
de ofcio (com sua estrutura de mestres, oficiais
e respectivos liceus de artes e ofcios). J
os que no alcanavam tal intento, necessitando
de algum tipo de assistncia ou perambulando
pelas ruas em busca de alimento,
eram rigorosamente identificados e tratados
pelas leis da poca como pobres, vagabundos,
incapazes, invlidos ou vadios.
Pouco a pouco se separam dois grupos
de pobres: de um lado, aqueles sem vnculos
com o mundo do trabalho ou com
vnculos espordicos e intermitentes; ficavam
 merc da assistncia social ou da
caridade; de outro, os pobres trabalhadores
regulares que podiam encontrar-se
temporariamente sem trabalho. Identificados
como desempregados, nesse caso, tero
acesso aos direitos sociais  indenizao,
seguro-desemprego, assistncia mdica etc.
 garantidos pelo Estado.
Produo e consumo
Se parte dos trabalhadores foi forada
a entrar na relao de trabalho assalariada,
no foi sem resistncia que os trabalhadores
nela permaneceram. Assim, empresas e
estados precisaram construir estratgias
para controlar os trabalhadores e assegurar
a produo e o consumo das mercadorias.
De nada adiantaria produzir se no
fosse possvel vender, e nas primeiras dcadas
do sculo XX, constri-se um modelo
de organizao do trabalho conhecido
como taylorismo-fordismo.
Em primeiro lugar emerge o taylorismo:
cada movimento do trabalhador ser
rigorosamente controlado por uma gerncia
que o vigia permanentemente. O fordismo
acentua essas mudanas por meio da
linha de montagem: a cada trabalhador
caberia apenas uma tarefa, a ser executada
em seu posto de trabalho, em um tempo
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Texto 21 / Organizao da produo
 Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho 54
determinado, por exemplo, enquanto a esteira
rolante passa. No sem razo, o movimento
operrio vai posicionar-se fortemente
contrrio a essa intensa disciplina.
O fordismo est associado a uma nova
dinmica do modo capitalista: produo em
quantidade, custos baixos, grandes fbricas
que produzem tudo. Comeam os tempos
da produo e do consumo em massa. Tal
dinmica predominar no sculo XX, particularmente
entre a Segunda Guerra Mundial
e meados dos anos 1970, nos pases
desenvolvidos.
Grande parte desses pases viver um
perodo marcado pelo crescimento econmico:
emprego e direitos sociais garantidos
aos trabalhadores, aumentando a
renda e o consumo nas diversas classes
sociais. Adolescentes e jovens pobres
conseguem utilizar parte de sua renda para
consumo prprio, contribuindo para a
construo de mercado e cultura juvenis.
Alguns fatores  ampliao da escolaridade
obrigatria para oito anos e novos
padres de comportamento, incluindo
menor autoridade e controle paternos, alm
de maior disponibilidade de renda para
consumo  foram fundamentais para que a
categoria juventude ganhasse fora, expandindo-
se para alm dos jovens estudantes
das classes mdia e alta, bem como dos
considerados delinqentes. Vrios pesquisadores
chamam ateno para o aparecimento
dos grupos juvenis reunidos em
torno da diverso e do consumo, com estilos
prprios de vesturio e comportamento,
e tambm para manifestaes juvenis
contrrias  prpria sociedade de consumo.
Crise no Trabalho
Parte considervel das mudanas no
mundo do trabalho toma corpo a partir da
segunda metade dos anos 1960. Elas esto
relacionadas com a crise financeira norteamericana
do perodo; a relativa saturao
do mercado consumidor nos pases centrais;
a elevao dos preos do petrleo nos
anos 1970; as lutas operrias contra o
trabalho repetitivo das fbricas; o sucesso
crescente da indstria japonesa na competio
internacional.
Ao aprofundar-se a crtica ao padro
taylorista-fordista, novos modelos ganham
espao: por um lado, os grupos semi-autnomos
adotados principalmente por fbricas
suecas como a Volvo, da o nome volvosmo,
por outro, o modelo da indstria
japonesa, particularmente nas fbricas da
Toyota (modelo japons e toyotismo):
equipes flexveis e polivalentes.
Para quem est inserido no mundo do
trabalho, algo mudou: a rotina das fbricas
no  to rgida; a chefia por vezes deixa a
opresso ostensiva; o trabalho daqueles que
lidam com a produo industrial  menos
mecnico; o objeto e a ferramenta distanciam-
se das mos do trabalhador, que lida
agora com o monitoramento de smbolos e
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Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho  55
mensagens dos sistemas computadorizados;
a disputa  mais intensa, a qualificao
profissional surge como uma exigncia
maior e a educao formal transforma-se
em critrio de seleo.
O Brasil revela, no entanto, que essas
mudanas no so uniformes. Hoje, convivemos
com um trabalho que se aproxima
da escravido, e trabalho extremamente
qualificado, entre os tempos de suor e graxa
e uma nova era do conhecimento que
no chegou aos quatro cantos do planeta.
O emprego estvel, o vnculo duradouro,
a carreira realizada em um percurso
de um ou de poucos empregos, parece
inexistir para a maior parte da populao.
A identidade com o empregador e com
a prpria profisso parecem situaes de
uma poca que j se foi. O desemprego
atinge patamares elevadssimos em todo o
mundo, que parecem no ceder. As diferentes
situaes convivem conjuntamente, ou
seja, uma minoria com emprego estvel e
direitos garantidos, muitos desempregados
e outros que vo em busca de alternativas.
O trabalho passa a ser criao prpria
para alguns (auto-emprego, cooperativas),
ou retoma sua condio de fora-da-lei, com
oficinas clandestinas, profuso de produtos
denominados piratas, ou imensa rede de
atividades ilegais como opo de acesso a
alguma renda.  a paradoxal economia
informal que movimenta cifras grandiosas,
ocupa milhes de trabalhadores expulsos da
agricultura e da indstria. Como  possvel
falar de trabalho assalariado no pas em que
Foto: Sebastio Salgado
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Texto 21 / Organizao da produo
 Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho 56
a escravido foi a forma de trabalho dominante
at o final do sculo XIX?
A rigor, no Brasil, a relao assalariada
no se generaliza como nos pases
centrais. O perodo ps-abolio da escravido
 marcado pela poltica de ampla
imigrao de trabalhadores que fugiam da
crise em seus pases de origem: italianos,
espanhis, japoneses, alemes e tantos
outros, para o labor das fazendas, incipientes
oficinas e fbricas, ou ainda para os
servios na cidade.
Com os imigrantes surgem as primeiras
sociedades de socorro mtuo de trabalhadores,
os primeiros sindicatos e confederaes,
as primeiras greves gerais, de
1907 e 1917. A crise social que se desenrola
ao longo das trs primeiras dcadas do
sculo XX  decorrente de diferentes modelos
econmicos pretendidos, a vocao
agrcola contra o sonho industrial.
Desenvolvimento da indstria no Brasil
A chegada de Getlio Vargas ao poder
executivo significa uma ruptura com o perodo
precedente: apesar das condies de
tutela impostas  organizao sindical,
entre as dcadas de 1930 e 1940, contraditoriamente,
o pas passa a contar com uma
legislao trabalhista  parte dela ainda
hoje em vigor na CLT (Consolidao das
Leis do Trabalho). Comeava a era do emprego
formal, da carteira de trabalho assinada
e da previdncia social, incorporando
massas de trabalhadores integradas ao
processo de industrializao, que ganha
impulso aps a Segunda Guerra Mundial.
Dos anos 1940 aos anos 1980, o Brasil
cresce intensamente, e as migraes, agora
internas, suprem a necessidade de trabalhadores
de uma indstria que no pra de
se expandir.  o momento das grandes siderrgicas,
da indstria automobilstica, da
petroqumica e dos mais diversos setores
produtivos que substituem a incipiente
base fabril do incio do sculo XX (produtos
txteis ou bens de consumo).
Distribuio de renda e crise
O perfil e a trajetria histrica da distribuio
de renda no Brasil certamente limitam
a capacidade de consumo, e, por conseguinte,
a aquisio de bens e servios pelo cidado
comum. Embora apresente uma das
maiores populaes do planeta, a renda
vergonhosamente concentrada  uma imensa
barreira ao crescimento econmico, por causa
da reduzida demanda familiar. Se o trabalho
caracterizado pelo emprego formal era fonte
de direitos e caminho seguro de acesso 
renda e, portanto, ao consumo, os bicos ou
o no-trabalho associados ao desemprego so
portas fechadas nesse caminho.
No final do sculo XX, despreparado, o
pas abre as portas e  inundado pelas
importaes. Somem-se a isso a crise fiscal
do Estado, incapaz de sustentar investimentos
com a subtrao dos juros da dvi-
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Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho  57
da, e a reestruturao das empresas em busca
de novas condies para competir. O
resultado  o desaparecimento de milhes
de empregos na economia brasileira, especialmente
na indstria. A sensao predominante
 de insegurana.
A carteira de trabalho assinada passa a
ser um sonho, objeto de desejo e de venerao.
Agora,  o chamado mercado informal
que d as cartas, um trabalho incerto e inseguro,
literalmente temporrio. No  ainda o
fim dos empregos, mas  o tempo do desemprego
como epidemia social e econmica.
Esse desemprego no atinge igualmente
a todos os indivduos. Ele toca, principalmente,
as mulheres, os afrodescendentes,
os jovens. Ao longo dos anos 1990, os
jovens passam a encontrar cada vez mais
dificuldades para ingressar e permanecer
no mercado de trabalho: houve diminuio
do nmero de jovens ocupados e da sua
participao na populao ocupada.
Para alm dos nmeros, o desemprego
juvenil provoca outros debates. Algumas
pesquisas tornam evidente que o
trabalho dos jovens (sobretudo das mulheres)
 fundamental para a construo da
autonomia e da condio juvenil; a possibilidade
de consumo  um meio de construo
das identidades. Mas nos tempos
bicudos do desemprego comea-se a questionar
se os jovens no deveriam apenas
estudar. Mas muitos jovens, mesmo os
mais pobres, comeam a reclamar pelo
direito  escolha, pelo direito  educao e
tambm ao trabalho.
Extrado do site www.educarede.org.br
Texto original: Maria Carla Corrochano e Lus Paulo Bresciani
Foto: Sebastio Salgado
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Servios pblicos
TEXTO 22
 Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho 58
DO POVO
PARA
O POVO
Servio Pblico  aquele
que  institudo, mantido e
executado pelo Estado, com
o objetivo de atender aos seus
prprios interesses e de satisfazer
s necessidades coletivas
22CA06BT19L01.qxd 19.01.07 11:36 Page 58
AConcesso Pblica  contrato bilateral
onde os contratantes assumem
obrigaes recprocas e que no podem
as partes, impunemente, deixar de
cumprir. A Concesso quase sempre  outorgada
com privilgio de explorao de
monoplio e nesta hiptese, principalmente,
deve ser examinado com cuidado o
cumprimento das obrigaes e o respeito
s tarifas.
gua
No caso da gua, o poder concedente
 o municpio, mas as tarifas so fixadas
pelo concessionrio, que se submete apenas
ao poder pblico estadual, que  o seu
acionista majoritrio.
A tarifa de gua no  fixada em razo
do seu custo em cada um dos municpios,
mas, diferentemente,  fixada em razo dos
interesses polticos regionais ou simplesmente
com base na capacidade econmico
financeira de determinadas regies.
 notrio que em algumas comunidades
as tarifas no remuneram o verdadeiro
custo da gua, mas  tambm notrio
que em algumas comunidades a tarifa 
extraordinariamente elevada para compensar
o dficit de algumas regies.
Poderamos at imaginar que seria
justo que alguns consumidores mais ricos
pagassem mais para que outros, mais pobres,
pagassem menos. Mas no  este
modelo correto da distribuio da renda,
pois os nivelamentos no so em relao
aos consumidores, pobres ou ricos, mas em
razo da renda regional, que no exclui a
existncia de consumidores muito pobres
em comunidades ricas e consumidores
ricos em comunidades pobres.
E mais, nas relaes de consumo, o
correto  que se pague o justo valor pelo
produto que consome e no o valor ideal
mensurado por interesses polticos, pela
estatstica ou pelos nmeros da economia.
Os investimentos e a cobertura do dficit
regional no so obrigaes do consumidor
de servios pblicos essenciais, e sim
responsabilidade governamental amparada
pelas dotaes oramentrias.
As tarifas de esgotos so cobradas do
consumidor sem que efetivamente sejam
prestadas.  que a concessionria apenas
coleta o esgoto, sem efetivamente trat-lo
para manter o equilbrio do meio ambiente.
Entretanto, a tarifa de esgotos chega a
custar ao consumidor um valor equivalente
a 100% do valor da gua consumida.
Ainda assim, em muitos casos o esgoto
coletado em um determinado local  canalizado
para os rios, j mortos, poluindo e
levando doenas a milhares de pessoas
esquecidas de que pagaram caro para o tratamento
do esgoto, mas tm de suport-lo
como castigo por ter sua cidadania ignorada.
Ora, o certo  que o consumidor de
servios pblicos no Brasil ainda tem muito
Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho  59
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Texto 22 / Servios pblicos
 Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho 60
que aprender e exigir; somente depois desse
avano e da conscincia cidad  que
poderemos avaliar a perfeio e eficincia
dos concessionrios e a responsabilidade e
capacidade dos dirigentes dos poderes
concedentes.
Energia Eltrica
O fornecimento de energia eltrica no
Brasil no  diferente do setor de gua e
esgotos ou de telefonia. Embora tenhamos
o privilgio de ter uma das melhores
companhias de eletricidade do Brasil, no
podemos desconhecer que os seus vcios
so muitos, e o maior pecado  a ausncia
de organismos que acompanhem e fiscalizem
a qualidade e regularidade da energia
bem como a justa tarifa.
As oscilaes de tenso so fatores
determinantes na durao e conservao
dos nossos equipamentos e instalaes eltricas
e dos eletrodomsticos.
No se pode aceitar ainda o silncio
das concessionrias de energia eltrica
quando  sabido que os industriais e os distribuidores
deixam de fornecer no mercado
lmpadas incandescentes prprias e
recomendadas para a tenso nominal da
energia distribuda, quando  lgico, h
nus para o consumidor em razo da durabilidade
das lmpadas e com relao ao
consumo de energia.
Na verdade, as concessionrias pedem
reduo no consumo de energia em determinados
momentos de alta demanda, mas
se calam quando o aumento de consumo
se projeta para a maioria do tempo quando
h abundncia de energia.
Telecomunicaes
Seria timo para o consumidor saber
que o sistema de telecomunicaes cresceu
mais que qualquer outro segmento
empresarial no Brasil, que  uma das atividades
mais rentveis do mundo e que caminhamos
para um processo de privatizao
que j , de longe, o mais disputado
do planeta.
Mas a vontade de fazer crescer este segmento
de forma desenfreada, sem respeito
ao assinante e em absoluto alheamento ao
cidado, criou-se uma srie de pseudo
servios, meros apelos sexuais, absolutamente
imorais, destinados principalmente
aos menores e aos serviais, que onerariam
a conta do assinante sem que este pudesse
ter conhecimento do seu prejuzo.
Isso tudo  revelia da lei e dos assinantes,
como justificativa apenas a ambio
pelos lucros polticos e a voracidade pelos
lucros financeiros.
Enfim, o assinante que nada sabe, descobre
que a concessionria dos servios de
telecomunicaes assinou um contrato com
terceiros, comprometendo-se a chantagear
o assinante com a cobrana de dvidas de
terceiros nas contas de servios telefnicos.
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E isso sem que o consumidor autorizasse
formalmente.
Enquanto isso, a televiso e demais
veculos de comunicao despejam uma
campanha publicitria dirigida exatamente
aos no-assinantes de linhas telefnicas,
estimulando-os a contrair dvida em nome
do titular.
 uma aberrao que no tem precedentes
na histria e que, espera-se, a justia
venha corrigir de forma exemplar, at
como forma de desestimular a explorao
animalesca do sexo dirigido a menores e a
doentes mentais.
Enfim, o que a sociedade espera dos
servios pblicos e dos concessionrios 
que finalmente se descubra que os servios
pblicos se destinam ao cidado e nunca
contra o cidado.
Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho  61
Extrado do site www.consumidorbrasil.com.br
Foto: Jonne Roriz/AE
Terezinha, 51, anda 3 quadras com o balde para pegar
gua limpa, na vila Ecolgica em Porto Alegre, RS.
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 Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho 62
Sabendo que a Usina Santa Cruz, em
Campos dos Goytacazes, no litoral
norte do Rio de Janeiro, um dos seus
fornecedores de lcool, foi autuada por
manter trabalhadores em situao de trabalho
escravo, a Petrobras decidiu suspender
a compra do combustvel.
A deciso foi tomada depois que a
Santa Cruz comeou a ser investigada pelo
Ministrio Pblico e pela Polcia Federal por
remunerar seus empregados com valores
abaixo do salrio mnimo e presos a dvidas
com aluguel e alimentao.
Marcada nos ltimos anos por
poluir o ambiente, a Petrobras,
uma das maiores empresas
estatais brasileiras, deu
o exemplo de como se pode
reverter uma situao
perversa e tornar-se
socialmente responsvel.
Consumo responsvel
TEXTO 23
Na foto, Usina Santa
Cruz, em Campos
dos Goytacazes, no
norte fluminense.
Foto: Fbio Motta / AE
A GIGANTE
SE ACOMODA
S LEIS
23CA06BT22L01.qxd 15.12.06 13:47 Page 62
Qualidade de Vida, Consumo e Trabalho  63
A iniciativa da Petrobras, de usar sua
influncia para dar um sinal de alerta a
toda cadeia produtiva do lcool, integra as
prticas de boa gesto alinhadas com o
ideal da responsabilidade social. O raciocnio
 simples: o combustvel produzido
pela usina Santa Cruz pode at ser mais
barato, mas deve ser recusado, pois a
empresa no respeita direitos humanos e
trabalhistas.
Anlise de cadeias produtivas
No se deve confundir, porm, iniciativas
como a da Petrobras com aes filantrpicas
e patrocnios oriundos de departamentos
de marketing, cujo nico objetivo 
valorizar a imagem da companhia. O que
no faltam so empresas fazendo marketing
social e, ao mesmo tempo, reprimindo seus
trabalhadores quando eles pedem aumento
de salrios, diz Juan Trimboli, diretor da
Consumers International, uma das maiores
organizaes internacionais de defesa dos
direitos dos consumidores.
O Instituto de Defesa do Consumidor,
Idec, quis, em 2006, fazer um trabalho com
a cadeia produtiva de achocolatados e
margarinas com as empresas Unilever,
Nestl, Pepsico e Novartis, Bunger, Sadia e
Vigor e inicialmente mandaram um questionrio
e pediram relatrios.
De todas essas empresas, apenas a Unilever
entregou as respostas no prazo. Sadia
e Novartis apenas enviaram relatrios e
balanos com parte das informaes solicitadas.
A Nestl no enviou nada, a assessoria
da Vigor disse que a companhia no participaria,
a Bunge nem sequer respondeu ao
contato, e a Pepsico, que produz o achocolatado
Toddy, fez uma ameaa: responsabilizaria
o Idec por quaisquer danos  imagem
da empresa.
Quanto s respostas da Unilever, os
tcnicos do Idec chegaram  nota 69,27
(entre 0 e 100) para as iniciativas da empresa.
Constaram que ela trabalha bem na
comunicao e na elaborao de polticas
responsveis, mas o resultado prtico poderia
ser melhor.
Um dos projetos considerados como
bem-sucedidos foi o combate ao trabalho
infantil nos municpios goianos de Silvnia
e Itabera. Sabendo que os fornecedores de
tomate estavam usando crianas na mode-
obra, funcionrios da empresa se articularam
com as prefeituras desse municpio
e com os conselhos tutelares e descobriram
que havia muitas crianas sem escola. A
soluo foi construir uma escola e uma
creche, financiadas com recursos de incentivo
fiscal.
Extrado do site www.reporterbrasil.org.br
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Expediente
Comit Gestor do Projeto
Timothy Denis Ireland (Secad  Diretor do Departamento da EJA)
Cludia Veloso Torres Guimares (Secad  Coordenadora Geral da EJA)
Francisco Jos Carvalho Mazzeu (Unitrabalho)  UNESP/Unitrabalho
Diogo Joel Demarco (Unitrabalho)
Coordenao do Projeto
Francisco Jos Carvalho Mazzeu (Coordenador Geral)
Diogo Joel Demarco (Coordenador Executivo)
Luna Kalil (Coordenadora de Produo)
Equipe de Apoio Tcnico
Adan Luca Parisi
Adriana Cristina Schwengber
Andreas Santos de Almeida
Jacqueline Brizida
Kelly Markovic
Solange de Oliveira
Equipe Pedaggica
Cleide Lourdes da Silva Arajo
Douglas Aparecido de Campos
Eunice Rittmeister
Francisco Jos Carvalho Mazzeu
Maria Aparecida Mello
Equipe de Consultores
Ana Maria Roman  SP
Antonia Terra de Calazans Fernandes  PUC-SP
Armando Lrio de Souza  UFPA  PA
Clia Regina Pereira do Nascimento  Unicamp  SP
Eloisa Helena Santos  UFMG  MG
Eugenio Maria de Frana Ramos  UNESP Rio Claro  SP
Giuliete Aymard Ramos Siqueira  SP
Lia Vargas Tiriba  UFF  RJ
Lucillo de Souza Junior  UFES  ES
Luiz Antnio Ferreira  PUC-SP
Maria Aparecida de Mello  UFSCar  SP
Maria Conceio Almeida Vasconcelos  UFS  SP
Maria Mrcia Murta  UNB  DF
Maria Nezilda Culti  UEM  PR
Ocsana Sonia Danylyk  UPF  RS
Osmar S Pontes Jnior  UFC  CE
Ricardo Alvarez  Fundao Santo Andr  SP
Rita de Cssia Pacheco Gonalves  UDESC  SC
Selva Guimares Fonseca  UFU  MG
Vera Cecilia Achatkin  PUC-SP
Equipe editorial
Preparao, edio e adaptao de texto:
Editora Pgina Viva
Reviso:
Ivana Alves Costa, Marilu Tassetto,
Mnica Rodrigues de Lima,
Sandra Regina de Souza e Solange Scattolini
Edio de arte, diagramao e projeto grfico:
A+ Desenho Grfico e Comunicao
Pesquisa iconogrfica e direitos autorais:
Companhia da Memria
Fotografias no creditadas:
iStockphoto.com
Apoio
Editora Casa Amarela
Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP)
(Cmara Brasileira do Livro. SP, Brasil)
Qualidade de vida, consumo e trabalho /
[coordenao do projeto Francisco Jos Carvalho Mazzeu,
Diogo Joel Demarco, Luna Kalil]. -- So Paulo : Unitrabalho-
Fundao Interuniversitria de Estudos e Pesquisas sobre o
Trabalho ; Braslia, DF : Ministrio da Educao. SECADSecretraria
de Educao Continuada, Alfabetizao e
Diversidade, 2007, -- (Coleo Cadernos de EJA)
Vrios colaboradores.
Bibliografia.
ISBN 85-296-0062-2 (Unitrabalho)
ISBN 978-85-296-0062-8 (Unitrabalho)
1. Consumo (Economia) 2. Livros-texto
(Ensino Fundamental) 3. Qualidade de vida 4. Trabalho
I. Mazzeu, Francisco Jos Carvalho. II. Demarco, Diogo Joel.
III. Kalil, Luna. IV. Srie.
07-0402 CDD-372.19
ndices para catlogo sistemtico:
1. Ensino integrado : Livros-texto :
Ensino fundamental 372.19
eja_expediente_Qualidade_2381.qxd 1/26/07 3:27 PM Page 64

